O fim da escala 6×1: avanço social, custo econômico e os efeitos que ainda precisam ser discutidos
A aprovação de proposta destinada a pôr fim à tradicional escala de trabalho 6×1 recolocou no centro do debate uma das questões mais sensíveis das relações de trabalho: como conciliar a melhoria da qualidade de vida do empregado com a sustentabilidade econômica das empresas e a preservação dos empregos.
Sob a perspectiva social, é difícil ignorar os benefícios pretendidos pela redução da jornada.
Mais tempo disponível para a família, lazer, estudo, descanso e cuidados pessoais pode representar melhora efetiva na qualidade de vida do trabalhador.
Uma jornada mais equilibrada também pode contribuir para redução de afastamentos, maior satisfação profissional e, em determinadas atividades, ganhos de produtividade.
A evolução das relações de trabalho, afinal, não pode ser analisada apenas sob a ótica econômica.
Mas também não pode ser examinada apenas sob a ótica social.
É justamente nesse ponto que o debate precisa amadurecer.
Reduzir a jornada não reduz a necessidade de funcionamento das empresas Uma empresa que funciona seis ou sete dias por semana continuará precisando funcionar.
Restaurantes continuarão servindo refeições.
Hotéis continuarão recebendo hóspedes.
Supermercados precisarão abrir.
Hospitais permanecerão operando.
Empresas de segurança, limpeza, logística, transporte, atendimento e terceirização continuarão necessitando de mão de obra durante períodos extensos.
A redução da jornada individual do trabalhador não reduz, automaticamente, a quantidade de horas durante as quais essas atividades precisam funcionar.
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