Ao confiar mais em balas que em urnas, políticos conservadores se tornam alvo de violência
Professora titular do Departamento de Sociologia da USP e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)
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A saída acabou sendo mais momentosa que o debate. Foi quando o prefeito chamou na chincha o candidato ao governo do partido adversário. Aconteceu em São Paulo e não esquentou mais porque as respectivas equipes entraram apartando.
Na presidencial, Flávio Bolsonaro decidiu-se por slogan que ressoa o de Lula e alude à arminha do pai: " A esperança virou medo ". Medo da criminalidade, que Jair Bolsonaro e seu pupilo Tarcísio de Freitas tinham prometido conter.
Como ficaram na promessa, o tema ficou na agenda e outros se lançam ao posto de solucionador-mor da República. A violência está no programa de Ronaldo Caiado , velho de guerra de 1989, como Lula. Em um de seus arroubos juvenis (já desafiou o Bananinha para luta livre), Kim Kataguiri propôs nada menos que uma bomba atômica.
Flávio B. e Caiado miram a dimensão social e Kataguiri, a Internacional da violência em suas agendas políticas. O entrevero entre Fernando Haddad e Ricardo Nunes alude à outra: a relação violenta dos políticos entre si.
Ataques mortais a políticos por outros políticos ou terceiros incomodados com suas ações é fenômeno internacional e de longa duração. No Brasil, de um janeiro a outro entre 2003 e 2023, houve 1.228 ataques a políticos e ativistas e 760 assassinatos consumados . Políticos são a maior parte desse bolo: 63,1% dos casos. Embora o levantamento para os últimos anos esteja em andamento, o problema não desapareceu.
O candidato que tematiza o medo tem medo ele próprio: segundo a revista Oeste , Flávio B. acumula 2.000 ameaças. Fiel ao pai, adotou colete e foge da Polícia Federal . Recusou esta polícia, mas recorreu à do Senado e triplicou sua segurança.
As deputadas Gleice Jane (PT-MS), em Dourados, e Lívia Duarte (PSOL-PA), em Belém, foram ameaçadas de morte, respectivamente, em dezembro de 2025, por Zap, e em fevereiro de 2026, por email. Tampouco é só misoginia. Lívia é a primeira deputada negra da Alepa (Assembleia Legislativa do Estado do Pará), o que, a própria apontou, adenda outra camada.
Mas os homens e os brancos, sendo maioria na política, são também os mais visados. O vereador de São Paulo Adrilles Jorge ( União Brasil ) registrou ameaça em abril. O deputado Cafu Barreto (PSD-BA) ganhou áudio aterrorizador em Ibititá, na Bahia. No Paraná, o deputado federal Toninho Wandscheer (PP) e seus filhos Alisson, deputado estadual (Solidariedade), e Tiago, secretário municipal de Fazenda Rio Grande, registraram B.O. em julho.
Nem quem tem arma escapa: a deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) encontrou em sua caixa de entrada, em junho, email com detalhes de sua rotina e a advertência: "Sei onde você mora".
A variedade de estados atesta que a questão suplanta o nível local, abrange políticos municipais quanto estaduais e ronda a Presidência. Resolver conflitos políticos à bala é fato tão notório quanto nacional.
E não é específico desta conjuntura.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.