Glória Menezes confundiu vida e ficção e ajudou a construir a teledramaturgia brasileira
Glória Menezes: a atriz que desbravou a TV brasileira Era comum que novelas exibissem, nos créditos finais, um aviso de que qualquer semelhança com pessoas ou acontecimentos reais seria mera coincidência.
Mas, no caso de Glória Menezes, vida e ficção caminharam juntas durante quase toda a trajetória.
Filha de Nilo e Mercedes, ela nasceu Nilcedes.
Os pais não queriam que seguisse a carreira artística, e a futura atriz chegou a esconder da família o trabalho na televisão.
A resistência era tanta que a própria mãe acompanhava suas atuações sem saber que estava vendo a filha na tela.
Nos anos 1950, instituições exigiam autorização do pai ou do marido para que mulheres estudassem ou trabalhassem.
Aos 17 anos, Glória encontrou um caminho para frequentar a Escola de Arte Dramática da USP: casou-se com um primo que autorizaria seus estudos.
O plano nasceu do amor pelo teatro.
Com o tempo, o casal construiu uma relação afetiva e teve dois filhos.
“Só pra você ter uma ideia.
A minha avó, mãe de meu pai, morreu sem nunca aceitar eu ser ‘Glória Menezes’.” Depois de oito anos, o casamento terminou.
Foi então que Glória iniciou sua trajetória na televisão, em uma época em que ninguém sabia exatamente como fazer novelas.
Atores e atrizes ajudavam a criar, na prática, uma linguagem completamente nova.
Gloria Menezes e Tarcísio Meira na novela 'Espelho Mágico' Acervo Grupo Globo Para a atriz Rosa Maria Murtinho, a geração das pioneiras abriu caminhos para tudo o que viria depois.
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