Debate-mico teve pastelão de Cury, verborragia de Renan e goianidade de Caiado
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Nanicos até o momento na disputa presidencial, Ronaldo Caiado ( PSD ), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury ( Avante ) procuraram aproveitar o debate-mico na Band para reforçar ao eleitorado características que pretendem explorar na campanha.
Cury, que deu toques de pastelão ao evento, ao protagonizar um ridículo vai-não vai na porta da emissora, reforçou seu objetivo de ser um pacificador nacional (e até mundial), resumido em um bom slogan: "o Brasil tem cura".
Autor de best-sellers de autoajuda, o candidato do Avante caprichou nas frases de efeito para defender suas propostas. Para ele, professores "são cozinheiros do conhecimento, que não têm apetite em razão da intoxicação digital". Poeticamente, disse que "a vida é bela e breve como gota de orvalho".
Em determinado momento, ao falar da necessidade de ter uma atitude positiva, chegou a fazer merchandising de um de seus livros.
Renan teve atitude oposta, fiel a seu estilo franco-atirador. Se Cury foi lírico, ele investiu na verborragia e na estratégia de chocar.
Xingou Lula e Flávio Bolsonaro de canalhas e criminosos, chamou o governo de porcaria e chegou ao limite da transfobia e da misoginia ao se referir à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e à primeira-dama Janja da Silva. Na segurança, carro-chefe de sua plataforma, prometeu um "banho de sangue" e "passar a rapa" nos criminosos.
Em outras palavras, cumpriu seu papel de se apresentar como candidato "antissistema", um nicho que vem ocupando com eficiência. Para isso, numa atitude talvez inédita na política, disse que rejeitava votos de alguns eleitores, que chamou também de "canalhas".
Já Caiado repetiu sua estratégia de Goiás, Goiás e mais Goiás. A goianidade explícita não chega a surpreender, uma vez que a experiência administrativa como governador é seu grande trunfo. E tome referências autoelogiosas à segurança, educação, saúde e economia do estado do Centro-Oeste, que às vezes pareceram excessivas.
Sutilmente, Caiado também soube explorar a seu favor o fato de ser o mais velho, reforçando ter uma "autoridade moral" que falta a seus adversários.
Como previsível, os dois candidatos que lideram as pesquisas, e que fugiram do debate, foram assunto de grande parte do programa.
Neste propósito, o trio que compareceu ao estúdio da Band jogou entrosado, muitas vezes com raciocínios que se completavam.
Além da ausência em si de Lula e Flávio, exploraram os respectivos flancos na área da corrupção, os casos Lulinha e Master. Caiado se saiu com uma boa sacada, ao falar de "Dark Horse e Dark lobby".
Se Lula e Flávio apanharam, pior ainda ficou para o terceiro ausente, Romeu Zema (Novo), que passou em branco no debate, sem receber nem mesmo críticas por ter faltado. A indiferença dos adversários mostra que ele já é considerado carta fora do baralho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.