Do Itamaraty a Receita, servidores públicos alertam para riscos com Flavio Bolsonaro e declaram apoio a Lula
Com a aproximação do segundo turno das eleições, entidades sindicais e representantes de servidores públicos divulgaram um manifesto alertando para os possíveis impactos econômicos de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
O senador fez declarações controversas sobre as políticas econômicas que pretende implementar no país caso seja eleito, chegando a compará-las às medidas adotadas por seu aliado político, o presidente argentino Javier Milei.
O documento é assinado pelas diretorias de dez entidades que representam servidores de diferentes áreas da administração pública, incluindo Receita Federal, Ministério das Relações Exteriores, Ipea e órgãos de fiscalização e controle.
Leia o manifesto na íntegra: Manifesto em Defesa do Serviço Público, dos Servidores e da Democracia Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, entidades representativas de servidores públicos federais, que atuam em áreas estratégicas do Estado brasileiro, vêm a público alertar para a gravidade das escolhas que se apresentam ao país.
Estão em disputa dois projetos de Estado profundamente distintos, cujas consequências serão decisivas não apenas para o futuro do serviço público, mas também para as condições de trabalho, os direitos e a valorização de seus servidores.
De um lado, reaparecem propostas de reforma administrativa que, sob o argumento de modernizar o Estado, podem comprometer a estabilidade dos servidores, ampliar a precarização dos vínculos de trabalho e fragilizar a capacidade do poder público de atuar com autonomia, continuidade e independência técnica.
A estabilidade não é privilégio corporativo: constitui uma garantia institucional contra pressões políticas e econômicas e uma condição para que o servidor exerça suas atribuições em defesa do interesse público.
Também preocupam as perspectivas de congelamento ou redução salarial, restrições ao ingresso de novos servidores e demissões em larga escala, medidas associadas a programas de ajuste fiscal que podem comprometer a prestação de serviços essenciais.
A experiência argentina sob a gestão de Javier Milei, marcada por severas medidas de ajuste, cortes no setor público e redução de estruturas estatais, oferece um alerta sobre os custos sociais e institucionais de políticas dessa natureza.
Não se trata apenas de discutir remunerações, mas de preservar carreiras, conhecimento técnico e capacidade de resposta do Estado às necessidades da população.
Outro ponto fundamental é o direito à negociação coletiva e à livre organização sindical.
A interrupção dos canais de diálogo, o enfraquecimento das entidades representativas e as tentativas de restringir a atuação sindical ameaçam conquistas históricas e comprometem a construção de soluções negociadas para os conflitos entre servidores e governo.
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