Brasil-China: o que está em jogo para a parceria na eleição de 2026
Moro em Beijing, no distrito de Shijingshan, tão a oeste da capital chinesa que costumo brincar que, para me visitar, é preciso fazer uma verdadeira Jornada ao Oeste , como no clássico da literatura chinesa.
Em novembro, completo um ano por aqui, embora tenha a sensação de ter vivido dez.
Minha história com a China começou antes.
Em 2022, passei seis meses estudando na Universidade Renmin e cobrindo o 20º Congresso do Partido Comunista da China (PCCh).
Naquele ano, não consegui transferir meu título de eleitor, mas fiz campanha para Lula com uma toalha do presidente debaixo do braço e até arrisquei uma dancinha na Grande Muralha.
Desta vez, a coisa ficou mais séria: transferi meu título, votei no primeiro turno e aguardo o dia 25 de outubro para voltar às urnas, agora também como delegada da coligação Brasil pronto pra mais em Beijing.
Foi entre essa experiência de viver na China e as conversas com meu irmão que a vida me deu e camarada, Renato Peneluppi , que nasceu este artigo.
A distância do Brasil não diminuiu nosso interesse pelos rumos do país.
Pelo contrário, nos levou a uma pergunta que vai muito além das eleições: como transformar a parceria entre Brasil e China em desenvolvimento, autonomia e soberania para o nosso país? A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009.
Em 2025, o comércio bilateral atingiu US$ 171 bilhões.
Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações brasileiras para a China chegaram a US$ 84,7 bilhões, mais de três vezes o valor exportado para os Estados Unidos.
Esses números mostram que a relação ultrapassa preferências ideológicas.
Mas também levantam uma questão fundamental: não basta vender mais para a China.
Precisamos transformar essa parceria em capacidade industrial, desenvolvimento tecnológico e oportunidades para a população brasileira.
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