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"Não dá para viver uma vida urgente": as pessoas que estão se desconectando

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"Não dá para viver uma vida urgente": as pessoas que estão se desconectando

Durante anos, Maura Vitória trabalhou com redes sociais. Além de cuidar dos perfis de outras pessoas, precisava alimentar a sua própria página com alguns conteúdos. O que poderia ser uma forma de passar o tempo se tornou mais uma obrigação. Ao fim da pandemia, a piauiense, hoje com 38 anos, decidiu deixar as plataformas.

No início, procurou atividades fora da internet para preencher o tempo. "No início, eu fui tentando buscar coisas no offline para preencher meu tempo, até que não vi mais sentido no online". Agora, planeja dar outro passo: usar um celular antigo no dia a dia e manter o smartphone para o trabalho.

A busca por limites também aparece na rotina da escritora Luciana do Rocio Mallon, 52, de Curitiba. Ela usa dois smartphones: um em casa, para trabalhar, e outro na rua, com menos aplicativos. As experiências mostram caminhos diferentes para lidar com o excesso de estímulos em uma sociedade na qual o celular também concentra serviços, trabalho e comunicação.

Luciana começou a separar o uso dos aparelhos entre as tarefas feitas em casa e as atividades externas. No smartphone que leva para a rua, mantém apenas uma rede social e um aplicativo de mensagens, além de recursos como GPS e contatos de clientes.

Segundo a escritora, a divisão a ajuda a lidar com o volume de informações. Quando concentrava tudo em um aparelho, ela relata que se sentia ansiosa e nervosa, principalmente quando o celular apresentava algum problema técnico. Hoje, saber que tem um segundo telefone disponível também reduz sua preocupação.

A escolha envolve ainda a segurança. Em 2017, Luciana foi assaltada em um ponto de ônibus e perdeu o único celular que tinha. Desde então, mantém contatos comerciais nos dois aparelhos e procura evitar atender ligações na rua.

Os dois modelos que ela usa são smartphones. A diferença está na quantidade de aplicativos e nas funções que atribui a cada um. "O celular para home office só uso para tarefas que posso fazer dentro de casa. Já o celular que uso na rua, utilizo para vendas e atividades externas", afirma.

Maura, por sua vez, pensa em trocar o smartphone que usa fora de casa por um aparelho básico. Ela espera que a mudança ajude a diminuir a sensação de urgência e a deixar o celular inteligente mais restrito ao trabalho. Ainda assim, reconhece que a transição exige planejamento.

Para o psicólogo Paulo Cesar Porto Martins, doutor em Psicologia Clínica e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), há uma diferença entre usar o telefone para cumprir uma tarefa e pegá-lo automaticamente diante de uma pausa ou de um desconforto.

No primeiro caso, a pessoa recorre ao aparelho com um objetivo, como pagar uma conta ou responder a uma mensagem. No segundo, pode desbloquear a tela sem saber o que procura e acabar passando mais tempo do que pretendia entre notificações e conteúdos.

O especialista afirma que deixar o smartphone em outro cômodo ou sair com um aparelho básico cria uma barreira entre o impulso de checar a tela e o acesso às redes. Essa distância pode ajudar a interromper o comportamento automático.

Mas a troca, sozinha, não necessariamente resolve a questão.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.

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