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Sistema com drones e inteligência artificial indica momento ideal para abate de bovinos

Agência FAPESP ·
Sistema com drones e inteligência artificial indica momento ideal para abate de bovinos

Elton Alisson, de Leiden (Países Baixos) | Agência FAPESP – Na criação de gado de corte, acertar o momento ideal da venda faz toda a diferença nos custos do produtor. Isso acontece porque, ao atingir seu limite natural de desenvolvimento, o animal deixa de ganhar peso de forma significativa. A partir desse ponto, cada dia a mais no confinamento significa gastar com ração sem obter retorno em carne. Para descobrir essa janela ideal sem precisar pesar cada animal do rebanho em uma balança – um processo demorado e estressante para o gado –, um grupo de pesquisadores apoiado pela FAPESP desenvolveu uma solução não invasiva. Eles criaram um sistema que une drones e inteligência artificial para mapear o crescimento de bois da raça Nelore, permitindo que o acompanhamento da engorda e a decisão de abate sejam feitos com precisão a partir de imagens aéreas.

A tecnologia foi descrita em um artigo publicado na revista Computers and Electronics in Agriculture . Os detalhes foram apresentados por Jayme Garcia Arnal Barbedo , pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, em palestra ministrada na última quarta-feira (28/10) durante a FAPESP Week Países Baixos fapesp.br/week/2026/netherlands.

“Estamos muito próximos de obter um protótipo funcional completo do sistema. O próximo passo crucial será estabelecer parcerias com empresas do setor ou agtechs [startups do setor agropecuário] para transformar essa pesquisa em um produto comercial disponível em grande escala para os pecuaristas”, contou Barbedo à Agência FAPESP .

A inovação utiliza imagens aéreas captadas por drones a 15 metros de altura. Por meio de algoritmos avançados de aprendizado profundo ( deep learning ), o sistema segmenta o corpo dos animais e extrai métricas morfológicas para mapear a curva de engorda em tempo real. Os resultados demonstraram que o ponto ótimo de comercialização pode ser atingido até uma semana antes do previsto pelos métodos convencionais.

“A curva de ganho de peso de um lote de animais para corte tem uma forma característica em ‘S’: começa devagar na fase de adaptação, entra em um período de ganho muito acelerado e, na etapa final, ocorre uma desaceleração. A partir desse ponto, não importa quanta alimentação você forneça, o animal não vai mais converter ração em carne na mesma proporção”, explicou Barbedo. “Às vezes, um dia de diferença na decisão de abate ou na negociação do lote pode aumentar o lucro daquela operação entre 5% e 10%”, ressaltou.

A arquitetura computacional do sistema combina dois modelos de inteligência artificial de última geração. O primeiro, para detecção de objetos, foi ajustado para localizar individualmente cada boi Nelore no confinamento, alcançando 95,56% de precisão. Já o segundo modelo permite delimitar os contornos exatos do corpo do animal em nível de pixel.

Com base nessas informações, a inteligência artificial faz um cálculo simples: compara a largura do boi com o seu comprimento. A grande vantagem dessa proporção é que ela não sofre interferência se o drone voar um pouco mais alto ou mais baixo. Conforme o animal ganha músculo e gordura no confinamento, seu corpo vai ficando visivelmente mais largo em relação ao próprio comprimento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.

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