“Não é preciso destruir instituições, mas reformá-las”, diz presidente do IDAMS
A crise de confiança no sistema de Justiça brasileiro não será resolvida apenas com a extinção do Supremo Tribunal Federal e a criação de uma Corte Constitucional.
Para o presidente do Instituto de Direito Administrativo de Mato Grosso do Sul (IDAMS), advogado João Paulo Lacerda, o País precisa ir além das soluções radicais e enfrentar uma reforma profunda, capaz de rever desde a escolha dos ministros até os mecanismos de controle, transparência e responsabilização das autoridades.
A proposta de acabar com o STF, noticiada pelo Campo Grande News na semana passada, abriu uma discussão que, segundo o advogado, não pode ficar limitada à troca do nome ou do formato da Corte.
“Precisamos ampliar esse debate.
Os extremos não contribuem para a construção de soluções.
Extinguir o Supremo Tribunal Federal não é, a meu ver, a saída.
Precisamos discutir uma reforma profunda do sistema de Justiça, e isso inclui o próprio Supremo”, afirmou.
Lacerda não entra, neste momento, na discussão jurídica sobre quem teria legitimidade para apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição.
Para ele, antes disso, é necessário definir qual reforma o Brasil pretende realizar e quais problemas concretos deverão ser enfrentados.
“A Constituição estabelece quem pode propor uma emenda constitucional, e essa é uma discussão própria.
O que quero discutir é o conteúdo da proposta e, principalmente, qual reforma do sistema de Justiça o Brasil realmente precisa”, explicou.
Mudança não pode ser apenas no nome A Constituição Federal atribui ao STF a guarda da própria Carta.
Por isso, segundo Lacerda, qualquer proposta para substituí-lo por uma Corte Constitucional precisa esclarecer quais competências seriam mantidas, retiradas ou modificadas.
“Não basta mudar o nome da instituição.
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