Na era da ansiedade, marcas também precisam reencontrar sua essência
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Vivemos uma epidemia silenciosa de esgotamento emocional. Nunca se falou tanto sobre ansiedade , depressão , burnout , autocuidado e saúde mental. Ao mesmo tempo, em que ampliou o acesso à informação e acelerou a comunicação, a tecnologia também nos colocou em um ciclo permanente de comparação, excesso de estímulos e sensação de insuficiência.
Tudo acontece rápido demais. Tudo parece exigir respostas imediatas. E, no meio desse turbilhão, o ser humano começou a pagar a conta. Não por acaso, o cuidado com a saúde mental passou a ocupar espaço central nas empresas e nas políticas de bem-estar.
Em 2025, o Brasil registrou 534 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais , um crescimento de 13% em relação a 2024. Na saúde suplementar, as consultas com psiquiatras dobraram na última década, e a busca por terapia , meditação e outras práticas de autoconhecimento revela uma necessidade coletiva de reorganizar pensamentos e encontrar estabilidade em um mundo em atualização permanente.
Quando uma sociedade adoece emocionalmente, suas marcas começam a apresentar sintomas parecidos. Assim como as pessoas, as empresas também perderam a referência sobre quem são.
Na tentativa de permanecer relevantes, passaram a viver em estado de ansiedade constante, correndo atrás do algoritmo, da próxima trend ou da linguagem da semana. Confundiram presença com relevância, velocidade com estratégia e adaptação com abandono da própria identidade.
O resultado é um mercado repleto de marcas que falam de tudo, mas dizem pouco sobre si mesmas. Rebrandings sucessivos que não alteram percepção, campanhas desenhadas para durar poucos dias, manifestos genéricos e posicionamentos moldados pelas redes sociais criaram um cenário de profunda fragilidade identitária.
É como se as marcas também sofressem de ansiedade crônica: medo de ficar para trás, necessidade constante de aprovação e dificuldade de sustentar uma personalidade consistente diante da avalanche diária de estímulos em um ciclo nada saudável.
Ao mesmo tempo, começam a surgir sinais curiosos de reação cultural. O retorno das revistas impressas de nicho, o crescimento do mercado de vinil, o interesse crescente pelas câmeras analógicas e a obsessão do mercado de luxo por herança, arquivo e tradição revelam um desejo coletivo por experiências mais lentas, tangíveis e duradouras. Em tempos de excesso, permanência virou luxo.
Talvez por isso tantas empresas tenham começado a revisitar perguntas que vão além do marketing. Quem somos? O que realmente nos diferencia? Quais valores permanecem quando a tendência da semana desaparece? Que legado queremos construir?
Responder exige um exercício que se aproxima de um processo terapêutico. Assim como acontece com as pessoas, fortalecer uma marca envolve reconhecer contradições, compreender a própria história, separar essência de ruído e entender quais características podem evoluir sem comprometer sua identidade.
Propósito deixa de ser um slogan para redes sociais, valores deixam de ser palavras decorativas e passam a ser eixo de decisões.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.