Dark Horse fechou contrato de R$ 1,5 mi com conselheiro de ONG investigada
A Go Up Entertainment, produtora do filme "Dark Horse", fechou contrato de R$ 1,5 milhão com uma empresa de Eduardo Ferreira Franco, conselheiro do ICB (Instituto Conhecer Brasil), organização investigada por suspeitas de desvio de recursos públicos. O acordo foi assinado pela dona da Go Up, Karina da Gama, que também é presidente do ICB .
A HCG Projetos e Cenografia, da qual Franco é sócio-administrador, foi contratada em outubro de 2025 para locação de equipamentos cenográficos utilizados nas gravações do longa.
O documento prevê três pagamentos: R$ 682,4 mil como adiantamento na data da assinatura, R$ 146,9 mil em outubro de 2025 e R$ 717,7 mil em abril de 2026. O UOL identificou comprovantes de transferência via Pix para a HCG referentes às duas últimas parcelas.
Procurada, a Go Up preferiu não comentar a contratação. A reportagem também procurou a H CG Projetos e Cenografia por mensagem e email, e o texto será atualizado em caso de manifestação.
O ICB foi alvo da Operação Make Up, deflagrada em setembro, que investiga o repasse de R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado Mario Frias (PL-SP). Como mostrou o UOL , os recursos foram destinados para que a ONG executasse um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo, mas o projeto nunca saiu do papel . A Polícia Federal apura se os recursos das emendas teriam sido desviados para a produção de "Dark Horse".
O instituto também é alvo de investigação da Polícia Civil de São Paulo por irregularidades em um contrato de mais de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi em comunidades.
Eduardo Franco foi nomeado conselheiro técnico-científico do ICB em novembro de 2025, com mandato até 2032. Ele também foi sócio da Complexys, investigada pela Polícia Civil e fornecedora da ONG.
A empresa apresentou notas fiscais de R$ 2 milhões por serviços prestados no âmbito do contrato de wi-fi, mas as cancelou posteriormente . Policiais cumpriram mandado de busca e apreensão no endereço da Complexys em junho, uma sala comercial onde havia apenas uma maca com equipamentos terapêuticos e toalhas brancas. Franco deixou a sociedade em março de 2025.
O contrato e os comprovantes de pagamento à HCG Projetos e Cenografia foram anexados a um dos inquéritos do STF (Supremo Tribunal Federal) que apura o financiamento do filme "Dark Horse".
Nesta sexta-feira (17), a PF solicitou ao Supremo mais 90 dias de prazo para concluir a investigação. A corporação cita transcrições das conversas em que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme.
A PF afirma que o dono do Banco Master teria se comprometido a repassar aproximadamente R$ 134 milhões (US$ 24 milhões). Desse total, foram enviados cerca de R$ 62 milhões (ou US$ 12,3 milhões) por meio da empresa Entre Investimentos e o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e administrado por Paulo Calixto, advogado próximo ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
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