Em uma região do fundo do Pacífico localizada a quase 11 quilômetros de profundidade, instrumentos já registraram baleias, terremotos, tufões e até navios navegando milhares de metros acima durante o mesmo período de monitoramento
Hidrofones instalados no ponto mais profundo do oceano revelaram que tempestades, animais, terremotos e navios ainda podem ser ouvidos a quase 11 quilômetros
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Perto do ponto mais profundo conhecido dos oceanos, cientistas descobriram que o silêncio não é tão absoluto quanto seria fácil imaginar. Um hidrofone instalado no Challenger Deep , na Fossa das Marianas, registrou durante semanas sons naturais e produzidos por humanos: vocalizações de cetáceos, terremotos, hélices de navios, sonar e até os efeitos acústicos de um tufão de categoria 4. O experimento mostrou que quase 11 quilômetros de água não isolam completamente o fundo do restante do oceano.
Em 2015, pesquisadores da NOAA e instituições parceiras colocaram no fundo uma amarração de aproximadamente 45 metros equipada com hidrofone e sensores de pressão e temperatura. O ponto de ancoragem foi calculado em cerca de 10.854,7 metros, onde a pressão supera mil vezes a encontrada ao nível do mar.
O equipamento precisava proteger seus componentes contra essa compressão colossal sem impedir a detecção das pequenas variações de pressão que constituem o som. O hidrofone permaneceu gravando continuamente por 24 dias, a uma taxa de amostragem de 32 kHz, produzindo um dos primeiros registros acústicos prolongados realizados na zona hadal mais profunda do planeta.
As gravações surpreenderam porque misturavam fontes muito diferentes. Algumas eram próximas; outras podiam produzir ondas acústicas que percorriam grandes distâncias antes de atingir o sensor. Isso transformou o instrumento em uma espécie de ponto de escuta do oceano profundo.
O vídeo oficial abaixo, produzido pelo NOAA Pacific Marine Environmental Laboratory, apresenta o experimento e os sons registrados no ponto mais profundo dos oceanos.
Terremotos submarinos podem transferir parte de sua energia para a água, produzindo sinais acústicos conhecidos como fases T. O hidrofone detectou esse tipo de sinal durante o monitoramento, incluindo eventos sísmicos suficientemente fortes para produzir assinaturas claramente reconhecíveis no registro.
Isso demonstra uma característica importante da acústica oceânica: vibrações geradas na crosta não permanecem necessariamente confinadas às rochas. Quando parte da energia é convertida em ondas sonoras na água, ela pode percorrer grandes distâncias e ser registrada por hidrofones muito afastados da origem do terremoto.
O som viaja na água em torno de 1.500 metros por segundo, muito mais rapidamente do que no ar. Sua trajetória, entretanto, muda conforme temperatura, pressão e salinidade modificam a velocidade de propagação. Em determinadas camadas, as ondas são refratadas de maneira que permanecem canalizadas por grandes distâncias.
É por isso que sons de baixa frequência podem atravessar centenas ou até milhares de quilômetros. O chamado canal SOFAR é um exemplo extremo desse fenômeno, capaz de conduzir sinais por grandes porções das bacias oceânicas. A NOAA explica como o som consegue viajar por enormes distâncias no oceano
Mesmo nessa profundidade, pesquisadores detectaram ruído de hélices e outros sinais associados a atividades humanas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.