Irã rebate Trump e afirma que ‘ninguém’ pode transitar por Ormuz sem autorização do país
As Forças armadas do Irã rechaçaram as recentes declarações do presidente norte-americano Donald Trump , sobre um suposto “controle total” dos Estados Unidos sobre o território marítimo do Estreito de Ormuz.
Segundo comunicado emitido pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar operacional das Forças Armadas do Irã, e difundido pela agência estatal Fars , “o Estreito de Ormuz, assim como acontece desde 28 de fevereiro, permanece sob a gestão e o controle plenos da República Islâmica do Irã ”.
“Nenhuma embarcação comercial ou navio-tanque pode ter passagem segura pelo Estreito sem a permissão e a supervisão das poderosas Forças Armadas do Irã”, acrescentou o comando militar iraniano.
Teerã também frisa que “as alegações infundadas feitas pelos Estados Unidos a respeito da passagem normal de embarcações pelo Estreito de Ormuz não passam de mentiras e falsidades”.
A resposta iraniana acontece em um momento em que as negociações entre República Islâmica e os Estados Unidos por um acordo de cessar-fogo entrou em um novo período de impasse, o que levou a uma nova fase de acusações mútuas sobre o controle do território marítimo.
Na terça-feira (11/08), Trump chegou a declarar em entrevista que os Estados Unidos estariam exercendo “controle total sobre o Estreito de Ormuz”.
“Temos controle sobre todo o Estreito. Ninguém mais, apenas nós. Nossa Marinha é inacreditável, e as coisas estão indo muito bem para o nosso país”, assegurou o mandatário norte-americano.
Em junho passado, os dois países chegaram a um acordo que resultou em um cessar-fogo provisório e o restabelecimento do trânsito de embarcações marítimas por Ormuz.
Comando militar do Irã assegurou que país mantém controle sobre trânsito marítimo pelo Estreito de Ormuz Fars
Tal situação durou algumas poucas semanas. No mesmo mês de junho, os Estados Unidos lançaram um bombardeio a territórios no sul do Irã sob a alegação de pressionar o país persa para aceitar um tratado definitivo sobre o tema.
Vale lembrar que o conflito na região teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque conjunto lançado por Estados Unidos e Israel matou o aiatolá Ali Khamenei, então líder supremo do Irã.
A operação também destruiu diversos alvos no território iraniano, muitos deles civis, incluindo uma escola infantil, na cidade de Minab, onde faleceriam certa de 170 pessoas, a grande maioria meninas estudantes de entre cinco e doze anos.
Naquele mesmo dia, Teerã reagiu colocando em prática sua estratégia de fechar o Estreito de Ormuz via marítima por onde era transportado um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito que abastecem os mercados do mundo.
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