Filantropia familiar e family offices são uma agenda em construção
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Mestre em administração pela Universidade de São Paulo e professor de empreendedorismo social e negócios de impacto da Fundação Instituto de Administração, é diretor-executivo da ponteAponte. Foi jornalista da Folha entre 1999 e 2010.
Fundadora da Fophi Network e advisor em filantropia, foi diretora do banco BTG Pactual
No intervalo do Fórum Fophi Network 2026, duas lideranças de um multifamily office nos procuraram com uma inquietação: famílias atendidas, sobretudo das novas gerações, vinham perguntando mais sobre filantropia . Queriam falar de legado, impacto e propósito, e a equipe percebeu que precisava de conhecimento qualificado.
Em outro momento, uma liderança experiente em filantropia familiar nos contou que nunca havia pensado em incluir o tema nas perguntas de boas-vindas de seu family office. Foi ao longo de uma conversa conosco que concluiu que passaria a fazê-lo. "Faz todo sentido."
Essas duas cenas dizem muito sobre o momento que o Brasil vive. Quando lançamos, no ano passado, a pesquisa "Filantropia & Family Offices", divulgada com exclusividade por esta Folha , partimos de uma hipótese simples: há uma grande oportunidade para a filantropia familiar de alto patrimônio crescer no país, envolver mais famílias, qualificar decisões e deixar de estar concentrada em poucos grupos já mobilizados.
Um dos canais possíveis para isso são os family offices, estruturas que administram patrimônios familiares e vivem crescimento sem precedentes no Brasil.
Na semana passada, mais de 80 pessoas participaram do Fórum. Quase um terço vinha de fora de São Paulo. As inscrições, pagas, esgotaram antes do prazo. Trata-se de um sinal relevante de que existe, no Brasil, uma demanda crescente por falar de filantropia familiar com mais profundidade, menos improviso e maior responsabilidade pública.
Nesse sentido, o evento reuniu referências internacionais como Nick Tedesco, Jamie Webb, Sebastien Lepinard e Jill Kauffman Johnson. Também contou com vozes brasileiras como Fábio Barbosa, Rodrigo Pipponzi, Marina Feffer, Carola Matarazzo e Flavia Regina Oliveira, entre outras pessoas que vêm ajudando a qualificar essa agenda no país.
As discussões deslocaram a conversa do "quanto doar" para perguntas mais profundas: por que doar, quem decide, com quais critérios, ouvindo quem e com que compromisso com desigualdades de raça, gênero, território e renda.
Uma das provocações mais fortes veio da filantropia familiar internacional: antes de definir para onde vai o dinheiro, famílias precisam compreender que legado desejam construir, como tomam decisões e quais valores querem colocar em prática.
Outra fala resumiu bem o desafio intergeracional: filantropia precisa ser convite, em lugar de obrigação. Quando vira herança moral imposta, pode afastar; quando se torna espaço de aprendizagem, escuta e agência, pode aproximar.
O caso de um family office da Califórnia, a NextWorld, trouxe outra provocação importante.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.