Diretor do BC diz à PF que servidores resistiram a analisar fraude no BRB
O diretor de Fiscalização do BC (Banco Central), Ailton de Aquino, disse em depoimento à PF (Polícia Federal) que os dois servidores investigados sob suspeita de receberem propina de Daniel Vorcaro foram "resistentes" a analisar a fraude no BRB (Banco de Brasília).
Belline Santana chefiava o departamento de supervisão de bancos, e Paulo Sérgio Neves de Souza ocupou a diretoria de Fiscalização antes de Aquino. Ambos foram afastados pelo Banco Central em janeiro sob suspeita de receberem dinheiro de Vorcaro, do Banco Master.
Em depoimento à Polícia Federal em 25 de maio, revelado pelo Estadão, Aquino relatou uma série de ocasiões em que os servidores pressionaram em favor de interesses do Master. Aquino disse que, hoje, é possível se perguntar se o debate com os dois "era, de fato, republicano".
Os servidores pediram a Aquino, por exemplo, que o BC intercedesse junto à Mastercard, que ameaçava retirar seu produto do Will Bank, do grupo Master. Aquino disse não ter dúvida de que a demanda partiu de Vorcaro.
Perguntado sobre se os servidores perceberam as irregularidades do Master, disse que seria "leviano" responder --e relatou haver uma série de "vazamentos sistemáticos" aos fiscalizados do Banco Master sobre medidas do Banco Central. Belline Santana e Ailton Aquino foram procurados, mas não responderam ao UOL . O texto será atualizado no caso de eventual manifestação.
Em nota, a defesa de Paulo Sérgio afirma que "não houve qualquer desvio de conduta ou ação específica por parte de Paulo Sérgio que motivou o não compartilhamento de informações sobre a liquidação do Banco Master".
"Ao olhar para trás, surgem inevitavelmente as seguintes perguntas: por que o servidor Paulo Sérgio e o servidor Bellini Santana foram tão resistentes em avançar no trabalho de campo sobre as carteiras de crédito, e por que Paulo Sérgio acreditava que as irregularidades identificadas seriam mera operação que seria eliminada numa eventual fusão do Master com o BRB".
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