Fim da escala 6x1 traz desafio que vai além dos custos para empresas
Ter mais tempo para descansar, conviver com a família e cuidar da vida pessoal é uma das expectativas com o fim da escala de seis dias de trabalho para um de folga.
Para que essa mudança se traduza em qualidade de vida, porém, as empresas precisarão rever a distribuição de tarefas e a organização das equipes.
A avaliação é da administradora Michelle Kist, consultora de gestão e mentora de liderança e carreira, que alerta para o risco de concentrar as mesmas demandas em menos horas, sem ajustar os processos.
O Senado aprovou a PEC 221/2019 (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1 em 2 turnos na quarta-feira (14) e o texto aguarda promulgação.
A proposta prevê 2 dias de repouso semanal remunerado e redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial.
As novas regras ainda não estão em vigor e o cronograma prevê uma primeira redução para 42 horas semanais após dois meses da promulgação.
Um ano depois dessa etapa, o limite passará a 40 horas.
Para Michelle, a adaptação terá desafios diferentes conforme o porte da empresa, o setor e o horário de funcionamento.
Negócios que atendem diariamente, como supermercados, hotéis, restaurantes e hospitais, precisarão avaliar como distribuir os profissionais para manter suas atividades.
“Cada negócio vai ter uma peculiaridade”, afirma.
A consultora recomenda começar pelo levantamento das rotinas, como em quais dias e horários a empresa funciona, quando há maior procura, quais tarefas são realizadas e quantas pessoas estão disponíveis em cada turno.
Esse diagnóstico permitirá identificar onde será necessário reorganizar o trabalho, melhorar processos ou contratar.
Segundo Michelle Kist, a necessidade de contratar profissionais para cobrir os horários de atendimento pode elevar os gastos das empresas com pessoal.
A consultora cita estimativas de aumento entre 15% e 25% na folha de pagamento, considerando salários, encargos e benefícios das novas contratações.
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