13 discos nacionais para ouvir e descer do muro neste segundo turno
A cultura pode nos ajudar a enxergar aspectos do mundo aos quais nem sempre prestamos atenção.
Uma música pode revelar desigualdades naturalizadas, questionar ideias que parecem incontestáveis e dar voz a pessoas que raramente ocupam o centro do debate público .
Em um segundo turno eleitoral, quando propostas, discursos e disputas políticas dominam a conversa, a arte também pode ser um caminho para refletir sobre os problemas do país e sobre o que está em jogo nas escolhas coletivas.
Do samba ao rap, do rock ao manguebeat , estes 13 discos, em ordem alfabética, mostram diferentes maneiras de fugir da isenção por meio da música.
Alguns enfrentam diretamente a ditadura e o autoritarismo; outros abordam racismo, violência, desigualdade, liberdade, identidade cultural e meio ambiente.
São obras de épocas e estilos distintos, mas que ajudam a ampliar o olhar sobre o Brasil e suas contradições.
1.
Alcione — Alerta Geral (1978) Lançado em um período de ditadura militar, Alerta Geral é um dos discos importantes da trajetória de Alcione, cantora que abriu espaço para uma mulher negra em um mercado musical historicamente marcado por desigualdades.
A faixa-título, composta por Nei Lopes e Wilson Moreira, traz a ideia de mobilização coletiva e atenção ao que acontece ao redor.
Embora não seja um manifesto político direto contra o regime, o álbum ajuda a pensar a dimensão política do samba, da cultura negra e da presença de artistas que desafiaram barreiras sociais para conquistar espaço na música brasileira.
2.
BaianaSystem — O Futuro Não Demora (2019) O grupo baiano mistura guitarra baiana, música eletrônica, ritmos afro-brasileiros e referências da cultura popular para construir um som que também é uma afirmação política.
Vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa, O Futuro Não Demora aborda identidade, território e resistência cultural.
Faixas como “Sulamericano”, “Água” e “Salve” ajudam a compor um retrato de um continente marcado por desigualdades, disputas de poder e pela força de suas manifestações populares.
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