Para esconder apoio a Flávio Bolsonaro, PCO chama pelo voto nulo
Fundado em meados da década de 1990, o Partido da Causa Operária (PCO) se vende como o único partido revolucionário da esquerda brasileira.
Na prática, porém, tem chamado atenção por outro motivo: os constantes flertes com a extrema direita.
Essa aproximação vem desde o negacionismo na pandemia, passa pela defesa incondicional de bolsonaristas e chega ao coro com Neymar pelas privatizações de praias.
Por isso, tem sido comum nos depararmos nas redes sociais com comentários do tipo “sou de direita, mas não aguento mais concordar com o PCO”.
No atual processo eleitoral, o partido resolveu dobrar a aposta.
Só não se assume de vez como extrema direita, nem deixa de lado a máscara comunista, por uma questão logística.
Seria muito custoso tirar o “operário” do nome ou substituir a foice e o martelo por um símbolo ancap, por exemplo.
Assim, perderia seus militantes incautos, que ainda acreditam que o PCO é a vanguarda da revolução.
Mas a prática já demonstra essa guinada.
Na Superlive do PCO, ocorrida no dia 3 de outubro, mesmo contando com dois importantes nomes da esquerda – Isabella Cêpa e Celina Lazzari –, estiveram presentes os baluartes da extrema direita nacional Rafael Machado (Nova Resistência), Rubão (do canal Geoforça Brasil) e Monark (aquele mesmo que já chegou a defender a criação de um partido nazista legalizado no Brasil).
Basicamente, o objetivo dessa reunião conservadora era demonstrar hostilidade à candidatura Lula e poupar ao máximo Flávio Bolsonaro.
Essa hostilidade também aparece na imprensa escrita do PCO – o Diário Causa Operária (DCO) –, onde a derrota de Lula para Flávio Bolsonaro foi comemorada com um entusiasmo de fazer inveja aos bolsonaristas mais atuantes, com direito ao uso do termo “gado” para se referir aos militantes petistas em campanha para a virada de votos.
Se, por um lado, há hostilidade contra a esquerda, por outro, com os “camaradas” da extrema direita o PCO é solidário.
No sábado (10/10), em seu perfil no Facebook, Izadora Dias, candidata ao governo de São Paulo pelo partido, defendeu ninguém menos do que Eduarda Campopiano contra os “ataques machistas” daquilo que chamou de “esquerda pequeno-burguesa”.
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