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Adolescentes acusam polícia de agressões durante protestos na França

UOL Notícias ·
Adolescentes acusam polícia de agressões durante protestos na França

Adolescentes acusam a polícia francesa de provocar ferimentos graves durante protestos estudantis que começaram em meados de setembro, informa a Al Jazeera.

Um adolescente de 17 anos afirma que um policial segurou seu braço enquanto outro o atingiu com um cassetete durante uma manifestação. Ele precisou de atendimento hospitalar e levou pontos na cabeça. "Ainda estou traumatizado. Em vez de nos proteger, eles nos atacam", disse.

Outro adolescente, de 14 anos, teve a mandíbula fraturada após ser atingido no rosto por uma granada de gás lacrimogêneo, afirma sua advogada, Elsa Marcel. Vídeos do caso mostram um policial golpeando o adolescente com um cassetete antes de outro disparar a granada. A família apresentou uma queixa por tentativa de homicídio.

Uma adolescente de 16 anos não consegue enxergar com o olho direito após ser atingida por um lançador de balas de borracha usado pela polícia. Advogados ouvidos pela reportagem afirmam que os casos envolvem menores de idade e acusam os agentes de ampliar a tensão nos atos.

As manifestações começaram com estudantes do ensino médio que criticam o sistema educacional e passaram a reunir outros grupos pelo país. Mais de 500 mil pessoas foram às ruas no fim de semana de 17 e 18 de outubro, incluindo cerca de 100 mil em Paris.

Autoridades francesas defendem a atuação policial e citam centenas de agentes feridos nos protestos. O Ministério do Interior informou que quase 6.900 pessoas foram detidas desde o início dos atos, das quais 86% eram menores.

A Inspetoria-Geral da Polícia Nacional (IGPN), órgão que fiscaliza a corporação, abriu 36 investigações sobre supostas irregularidades de agentes. No início de outubro, o ministro do Interior, Laurent Nunez, disse que não havia ?instruções de contenção? para os policiais, mas que o uso da força deveria ser proporcional.

Policiais usaram gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral antes do início de uma marcha no sábado (17), de acordo com jornalistas que acompanharam o ato. Agentes também bloquearam saídas de uma praça em Paris, o que deixou milhares de pessoas comprimidas e provocou desmaios e crises de pânico.

A tática de cercar manifestantes, conhecida na França como "la nasse", é criticada por organizações de direitos humanos. Human Rights Watch e Anistia Internacional já questionaram o uso excessivo da força e restrições ao direito de protesto no país.

A polícia francesa já foi criticada pela reação a manifestações dos "coletes amarelos", iniciadas em 2018. Naquele período, manifestantes sofreram ferimentos graves causados por balas de borracha e granadas de efeito moral.

A morte de Nahel Merzouk, de 17 anos, baleado por um policial durante uma abordagem de trânsito em 2023, provocou dias de tumultos. O caso reabriu o debate sobre discriminação racial e violência policial na França.

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