Guerra por soldados transforma eleição em misto de game com Patrulha Canina
"Entrem lá pra ajudar. A gente tem que bater 6 milhões de inscritos até amanhã."
A mensagem chegou num grupo de compositores amadores que não recebia atualizações desde 2023.
Foi o tempo de trocar de janela e um pedido similar recrutava soldados em outra frente.
Não demorou para aquela tia que mal falava de política até outubro mandar o mesmo link com o mesmo pedido.
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Só então entendi que toda aquela mobilização tinha o objetivo de quebrar o gancho imposto pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) em um canal criado para evitar a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) no domingo (25).
Líder do exército, o parlamentar só distribuiria uma nova missão caso os seguidores batessem a meta de trazer mais gente para a turma. A meta era chegar a 7 milhões em poucas horas.
"Se virem", berrou um general insatisfeito com a coleta dos seguidores. E eles viraram.
Quem estranhou, nos últimos oito anos, a postura daquela tia conservadora que não sabia o nome de um ministro do STF e de repente, paramentada de soldado, discorria até sobre o contrato do escritório da mulher de Alexandre de Moraes com o Banco Master viu em poucos dias o jogo inverter. Agora era aquele primo cansado de ver o trabalho como professor desancado pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) surgir ativo e insone em um jogo que tinha muito de Mário World e um pouco de Patrulha Canina.
O jogo da Nintendo prendeu gerações em um desafio que envolvia missões específicas que, uma vez cumpridas, garantiam acesso à fase seguinte, e à seguinte, num looping infinito. A ordem era salvar a princesa Peach das mãos do malvado Bowser. Passar de fase era uma forma de permanecer no jogo.
A diferença é que, no campo político, o comandante faz as vezes de Ryder, um menino de 10 anos que conduz um grupo de filhotes com diferentes habilidades a resgatar quem está em perigo e proteger a Baía da Aventura.
Em tom um pouco mais agudo, em caixa alta e superlativos ("essa é a maior missão da minha vida"), Janones atualizou o mantra do protagonista do desenho animado: "Nenhum trabalho é tão grande, nenhum filhote é tão pequeno".
Durante anos desafios do tipo eram lançados em páginas e grupos que aproximaram nossas tias e nossos tios de lideranças até então desconhecidas que plantaram postagens de milhares e depois colheram milhões. De votos e dólares.
Nikolas Ferreira (PL-MG) é um deles. Gustavo Gayer, senador recém-eleito pelo PL de Goiás, era outro. Não sabia quem era ele até que fui pautado para acompanhar um curso que pretendia transformar o eleitor desiludido em soldado conservador.
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