Flávio e Ruas tiveram resultado mais favorável em áreas de milícia no Rio
Candidatos de partidos de direita obtiveram resultados mais favoráveis no primeiro turno das eleições de 2026 em áreas controladas por milícias no estado do Rio de Janeiro.
Isso aconteceu em todos os cargos disputados: deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente.
O dado consta de análise de Bruno Pantaleão, pesquisador do Centro de Segurança Pública e Analytics da FGV (FGV-Analytics) e do Centro de Política e Economia do Setor Público (FGV-CEPESP) obtida pelo UOL . O levantamento compara áreas controladas pelo crime com as demais regiões dentro dos mesmos municípios.
O levantamento analisou mais de 5.000 locais de votação no estado. Cerca de 2.000 estão em áreas da região metropolitana sob influência de tráfico ou milícia, de acordo com dados do Instituto Fogo Cruzado.
A análise identificou que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) registrou, em média, 5,6 pontos percentuais a mais nos espaços dominados por criminosos, quando comparados com zonas sem a presença dos grupos dentro dos mesmos municípios.
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Pelas contas de Pantaleão, essa diferença rendeu cerca de 107 mil votos a mais para o candidato a presidente.
Procurado, o senador afirmou que "é o único candidato que declarou classificar CV, PCC e milicianos como narcoterroristas ao ser eleito, além de retomar os territórios dominados pelo crime organizado devolvendo segurança e liberdade às famílias" (leia a íntegra da nota no fim do texto).
Na eleição para governador, Douglas Ruas (PL) registrou, em média, 4,7 pontos percentuais a mais em áreas controladas por milícias. A estimativa do pesquisador é que isso tenha rendido 84 mil votos a mais para o atual presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio), eleito no primeiro turno por uma diferença de 560 mil votos.
O PL também obteve vantagem nessas áreas nos cargos de deputado estadual (2,6 pontos percentuais a mais), deputado federal (1,9 ponto percentual) e senador (4,7 pontos percentuais).
Partidos de esquerda tiveram tendência oposta. O PT, por exemplo, obteve para deputado estadual 1,9 ponto percentual abaixo da média nessas regiões. Isso se repetiu na disputa a deputado federal (-2,7 pontos percentuais) e senador (-2,9 pontos percentuais).
Tanto o senador quanto o governador eleitos foram citados por proximidade com acusados de integrar milícias.
Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete da Alerj a mãe e a irmã de Adriano da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro acusado pelo Ministério Público liderar uma milícia na zona oeste do Rio. Flávio também homenageou Adriano em 2005. Em entrevista recente ao Jornal Nacional, disse que Adriano era um policial reconhecido à época.
Já Douglas Ruas é filho de Capitão Nelson (PL), atual prefeito de São Gonçalo. Em 2008, Nelson era vereador no município e foi apontado pela CPI das milícias da Alerj como um dos líderes da milícia que cobrava taxas de comerciantes e moradores no bairro Jardim Catarina. Nelson diz que a menção ao seu nome surgiu através de denúncia anônima "totalmente infundada".
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