Lula tenta evitar que crise do STF domine reta final de campanha
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia com cautela os desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal, temendo que a ausência de uma definição sobre o caso envolvendo Alexandre de Moraes prolongue a instabilidade na Corte.
Segundo apuração da âncora Tainá Falcão, para o Bastidores CNN desta quarta-feira (16), a campanha trabalha com a incerteza sobre por quanto tempo a crise se estenderá.
“Há uma expectativa de que o assunto de fato diminua após o pedido de vista do ministro Flávio Dino, mas hoje há também um temor sobre os rumos que a campanha pode ter diante deste cenário aberto”, afirmou Tainá.
A partir desta semana, porém, houve uma recalibragem do discurso, com Lula passando a abordar o tema de forma mais direta em suas manifestações públicas.
“Ele esteve em um podcast e defendeu pela primeira vez abertamente o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou Tainá.
Em entrevista ao podcast “Desce a Letra” na manhã desta quarta-feira, Lula afirmou: “Ele foi presidente do TSE quando ganhei as eleições e ele sabe, o Brasil sabe, a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade das urnas brasileiras.” Na noite de terça-feira (15), durante entrevista à TV Record, Lula também criticou André Mendonça, acusando-o de realizar vazamentos seletivos relacionados às investigações em curso.
“Até a semana passada, ainda era calculado o risco de o presidente trazer para o seu colo a crise da qual ele tratava como sendo exclusiva do Supremo Tribunal Federal”, destacou Tainá.
Pesquisas dão conforto à campanh A principal razão para a mudança de postura de Lula são os dados das pesquisas mais recentes.
Levantamento do Datafolha indica que Alexandre de Moraes não altera a escolha de 85% dos eleitores consultados, enquanto André Mendonça não muda o voto de 86% dos brasileiros.
“A percepção da campanha é de que, apesar de ser necessário ainda calcular os próximos passos, a pesquisa coloca o presidente em uma situação mais confortável quando demonstra que não há o impacto previsto”, afirmou Tainá.
Ela lembrou que a campanha adversária tentava trazer o desgaste do Supremo para dentro da campanha do presidente Lula.
Ainda assim, o mesmo Datafolha aponta que 76% da população considera que os ministros do STF têm poder excessivo.
Pesquisa da Quest revela que 56% dos brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal.
Esses números, na avaliação da âncora, acendem um sinal de alerta sobre o impacto institucional mais amplo da crise, que pode reverberar sobre outros poderes, incluindo o Executivo.
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