Milton Leite se entrega à polícia após ordem de prisão; ele é acusado de conexão com o PCC
O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), entregou-se à polícia na tarde desta sexta-feira (18) na delegacia de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana da capital.
Homem forte da política paulistana por décadas e aliado de primeira hora do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ele era considerado foragido desde o dia anterior, quando a Justiça expediu um mandado de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta.
A apuração põe no centro do furacão a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas concessões do transporte público da maior metrópole da América Latina.
A rendição ocorreu após um cerco ostensivo que incluiu buscas em um imóvel associado ao ex-parlamentar na cidade de Sorocaba, no interior do estado.
Na propriedade, os agentes da Polícia Civil e os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) não encontraram o ex-vereador, mas depararam-se com uma estrutura suspeita que contava com uma passagem secreta.
No local, que abrigava um suspeito incapaz de comprovar a origem de valores e papéis, a polícia apreendeu uma expressiva quantia em espécie: R$ 280 mil e US$ 89 mil.
Do transporte clandestino ao controle das concessões As apurações policiais e do Ministério Público desenham um quadro sombrio sobre o papel exercido por Milton Leite na infraestrutura de mobilidade de São Paulo.
Relatórios do inquérito apontam o político como figura central e “dono de fato” de grandes operadoras do sistema de ônibus, com destaque para a Transwolff, empresa que já havia sido alvo da Operação Fim da Linha.
Depoimentos prestados por oficiais da Polícia Militar à Justiça Militar corroboram a tese dos investigadores de que a gestão real da frota e das diretrizes operacionais dessas viações passava diretamente pelas ordens do ex-presidente do Legislativo paulistano.
Além disso, interceptações telefônicas e análises de dados revelaram diálogos estarrecedores mantidos por lideranças da facção.
Em uma das conversas mapeadas pela inteligência, o operador financeiro do PCC, José Daniel Satilite, debate a substituição da empresa UPBus pela Translider.
No diálogo, o interlocutor deixa claro que qualquer movimentação estrutural na rede exigia uma comunicação prévia e o aval direto de Milton Leite.
A investigação desnudou ainda o envolvimento de uma empreiteira vinculada ao político em contratos nebulosos com operadoras gerenciadas pelo crime organizado.
T eia das operações: do tráfico aos R$ 8 bilhões da fintech A prisão de Milton Leite representa o desfecho temporário de um enredo de investigação minucioso que começou em agosto de 2024, com a deflagração da Operação Decurio.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.