A burguesia do boleto
A classe média brasileira resolveu enfim parar de padecer por não ser rica e passou a sofrer como se fosse.
É um avanço psicológico importante.
No passado havia constrangimento.
Hoje há parcelamento.
O sujeito ganha salário, paga condomínio, financiamento, plano de saúde, streaming , seguro do carro e uma mensalidade de academia que frequenta apenas no aplicativo.
Mesmo assim, acorda preocupado com o imposto sobre grandes fortunas.
Não tem a fortuna, mas já sente as dores do patrimônio.
A classe média é o único grupo social que pode passar o dia inteiro reclamando do preço do tomate e terminar a noite explicando como o problema do Brasil é a tributação de iates.
Ela desenvolveu uma relação afetiva com o milionário.
Não conhece nenhum, é claro.
O verdadeiro nababo está num barco em Angra e não sabe que essa classe existe.
Mas ela o defende com a dedicação de uma mãe em reunião de pais e mestres.
Eu compreendo.
Também já tentei parecer rico.
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