Bolsonarista é filmada ao chamar estudante de 'preto do caralh*' em SP
Uma mulher foi filmada proferindo ofensas racistas contra o estudante de direito Márcio Ferreira na estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo. O episódio ocorreu na noite de domingo, após uma discussão política, entre a mulher e outras duas pessoas, iniciada dentro do trem. Segundo Márcio, ele se aproximou para tentar separar uma discussão e ajudar a mulher.
Em vídeo publicado pela vítima nas redes sociais, a mulher repete a expressão "preto do car*lho" contra o estudante. Em outro momento, ela afirma ser apoiadora do candidato Flávio Bolsonaro "graças a Deus". As imagens foram divulgadas pelo próprio Márcio e compartilhadas por outros perfis, incluindo o da deputada federal eleita Natália Boulos.
Segundo Márcio, a mulher discutia com outros três jovens sobre política dentro do metrô. A discussão ficou mais acalorada, e o estudante decidiu intervir para evitar que o conflito se tornasse físico. "Fui separar a briga. Conversando. Pedindo calma", conta. "As outras pessoas [envolvidas na discussão] saíram e eu fiquei acalmando ela".
Ele contou que não conhecia nenhum dos envolvidos e que tentou acalmar a mulher, apesar de discordar de sua posição política. Ao explicar que havia tentado ajudá-la "independentemente de ela ser bolsonarista", ele conta que a postura da mulher mudou e ela passou a atacá-lo com ofensas racistas. Ela falou: "ah então você é do lado deles".
Um segurança do metrô interveio na discussão. No vídeo é possível ver a mulher repetindo ofensas e seguindo o estudante pela estação.
Nas redes sociais, o Márcio desabafou. "Na hora você se sente culpado. Culpa por não saber como reagir. Culpa até por sair de casa", disse. "Mas eu sei que eu não tenho culpa. A culpa é dela. Ela é racista".
Ao UOL, a esposa de Márcio Ferreira, Ana Carolina Rocha, confirmou que o caso já foi denunciado às autoridades em diferentes instâncias. Segundo ela, foi registrado boletim de ocorrência e apresentada denúncia ao Ministério Público. O estudante também foi chamado para prestar depoimento amanhã no Departamento de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI), da Polícia Civil de São Paulo.
No Brasil, o racismo é crime previsto na Lei nº 7.716/1989, com pena de reclusão. A injúria racial também é crime e pode resultar em prisão de dois a cinco anos e multa. Ambos são inafiançáveis e imprescritíveis.
UOL busca a defesa da mulher apontada no vídeo. O espaço permanece aberto para manifestação.
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