Flávio vence Lula em mentiras e promessas sem pé nem cabeça no debate
São poucos os que não qualificam como "lamentável" o debate entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidatos no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, neste domingo (18).
Poucos também discordam de que foi mais um show de auditório, com o objetivo de produzir cortes para vídeos curtos na internet, do que o confronto de ideias, projetos e propostas de governo.
A avaliação mais isenta do espetáculo resume o embate como um duelo de acusações entre um Lula menos alerta do que o conhecido, aparentando um certo cansaço, sob o peso da idade, e um Bolsonaro agressivo, determinado a não responder às perguntas do adversário.
Nas hostes militantes dos dois candidatos, Lula foi taxado de senil por bolsonaristas e Bolsonaro de moleque por lulistas. Tanto um lado quanto o outro despejaram mentiras, embora as agências de checagem de fatos tenham dado vitória inconteste a Flávio Bolsonaro no quesito mentiras e declarações enganosas.
A afirmação acima é confirmada pela agência de fact-checking Aos Fatos. O índice total de falas de Flávio Bolsonaro contendo incorreções, exacerbações ou falsidade chegou a 90,5%. No caso de Lula, o mesmo índice foi de 30,4%.
Das 21 afirmações do candidato oposicionista checadas, 47,5% foram consideradas falsas (10 declarações), 42,9% foram qualificadas como imprecisas (9 declarações) e 9,5% como verdadeiras (2 declarações). Já em 23 afirmações do presidente que busca a reeleição, o percentual de declarações falsas foi de 8,7% (2 declarações), enquanto 21,7% receberam a classificação de imprecisas (5 declarações) e 69,6% de verdadeiras (16 declarações).
No debate da Band, Lula não detalhou programas específicos, prometendo, basicamente, continuar com suas políticas econômicas atuais. Mencionou incentivos a micro e pequenas empresas, investimentos na economia verde, indústria digital e tecnologia, com atenção em datacenters.
Além disso, ficou na promessa convencional e genérica de conter a inflação e a alta do custo de vida. Declarou ainda que pretende restabelecer a credibilidade fiscal do governo, reconquistando o grau de investimento das agências globais de classificação de risco.
Já Flávio Bolsonaro, ao longo do debate, enumerou algumas promessas na área econômica difíceis de ficar de pé. Um corte de R$ 200 bilhões para estancar a trajetória ascendente da dívida pública seria feito com a queda dos juros que apenas sua eleição promoveria.
Difícil, contudo, acreditar em corte desse tamanho em prazo curto sem afetar gastos sociais e, principalmente, a Previdência Social, que responde por mais de 40% das despesas primárias da União.
O candidato da oposição também acena com coisas mais difusas, como a transformação da Caixa em um "banco da prosperidade" e a formação de um Ministério da Prosperidade. Na proposta mais detalhada apresentada no debate, Flávio Bolsonaro prometeu o que será quase impossível — para não dizer impossível — cumprir, pelo menos sem adaptações, limites e restrições.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.