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Lula precisará conciliar pautas da direita se quiser reconciliar o Brasil, diz cientista político

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Lula precisará conciliar pautas da direita se quiser reconciliar o Brasil, diz cientista político

RFI Convida Lula precisará conciliar pautas da direita se quiser reconciliar o Brasil, diz cientista político Publicado em: 27/10/2026 - 20:35

Ouvir - 13:08 O Brasil viveu uma eleição de todos os recordes: a mais acirrada, a maior abstenção no primeiro turno, seguida pela mais alta taxa de participação em 20 anos no segundo turno, os recursos judiciais ao Tribunal Superior Eleitoral durante a campanha, além da prorrogação inédita da votação por duas horas e a virada sem precedentes de Lula nas urnas. Essa montanha-russa revela o quanto a crise política no país permanece viva – uma fratura que a eleição do petista, por si só, não resolverá.

Nos quatro anos que se passaram desde a sua volta ao poder, a reconciliação nacional não foi uma prioridade de Lula. A partir de janeiro, o petista iniciará seu quarto e último mandato , e, durante os próximos quatro anos, também precisará encaminhar um herdeiro político capaz de enfrentar o bolsonarismo nas urnas. Os dois objetivos poderão caminhar juntos.

Estrategicamente, o governo de "Lula 4" deveria se aproximar da direita, avalia o cientista político Carlos Alberto de Melo, professor do Insper em São Paulo.

“Não sei se podemos esperar, mas devemos esperar, porque, se não for dessa forma, o presidente vai ter muita dificuldade em governar. Se o presidente se limitar a um campo ideológico, se limitar aos seus próximos, ele não vai dialogar com a sociedade e não vai dialogar com o Congresso Nacional”, afirma o doutor em Ciências Sociais.

Como o senhor qualifica essa dinâmica tão intensa e passional que os brasileiros viveram nos últimos meses, no contexto das eleições?

O que se diz aqui é que o roteirista do Brasil é maluco e absolutamente perverso, porque ele é supercriativo, todo dia tem alguma novidade. Normalmente, uma crise é algo aflitivo, só que a gente vai passando por isso há alguns anos.

Agora, o que nós temos de verdade é uma crise séria, que a eleição, por si só, não resolve. Nós temos um país dividido socialmente, politicamente, mas também culturalmente. As divergências culturais são muito profundas entre um bloco e outro. É um Brasil que não consegue se ajustar e tem faltado liderança para fazer a interpretação desses dois mundos e tentar unificar esses dois mundos. Esse é um problema sério.

E aí nós temos também crises institucionais. O nosso Legislativo há muito tempo não olha mais para o Brasil como um todo. Cada deputado, cada senador, olha para seus interesses paroquiais. Ninguém mais discute o Brasil, o futuro.

O Supremo Tribunal Federal, que teve um papel muito importante recentemente por conta da tentativa de golpe, também passou por um desgaste muito grande. Envolveu‑se com relações nem um pouco republicanas e também precisa ser revisto.

E o Executivo tem perdido força ao longo dos anos na execução do orçamento e, portanto, força política.

Então, nada disso se resolve com eleição. Mas vira-se uma página e tenta-se agora reconstruir processos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.

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