Morcego ‘vampiro’ ataca e suga sangue de morador no Rio de Janeiro. Caso vira estudo científico
A transmissão da raiva dos morcegos aos humanos, apesar de ser rara no Brasil, tem sido analisada por estudiosos.
O assunto teve repercussão após ataques a humanos, como o de Ilha Grande, estado do Rio de Janeiro, na Praia do Mangue, onde um morador foi vítima de espoliação sanguínea por um morcego hematófago.
O estudo feito por pesquisadores da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), divulgado na revista científica Scielo, detalhou o caso e discutiu as consequências e desafios para a profilaxia da raiva humana.
Entenda o caso Leia Mais EUA detectam três novos casos de parasita mortal em animais USDA confirma 41 casos de mosca-varejeira nos EUA desde junho Estudo encontra fungo Sporothrix em animais atropelados no PR A situação aconteceu no dia 17 de março de 2024, quando o morcego hematófago realizou a espoliação sanguínea, ou seja, mordeu e sugou o sangue de um morador da região de 33 anos, na Praia do Mangue, ao lado da praia de Pouso, na Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, no município de Angra dos Reis.
Segundo o relato do homem, o animal teria causado o ferimento no dedo do pé, mas ele relatou não sentir dor, só notou a quantidade de sangue no chão.
Ele não viu o animal que tinha causado aquilo, mas colegas alertaram que o ferimento tinha a possibilidade de ter sido por espoliação de morcego.
A partir desse momento, as medidas de profilaxia foram feitas no posto de saúde da ilha.
Logo após, ele foi encaminhado ao posto de saúde no continente, no município de Angra dos Reis.
Os órgãos competentes providenciaram a assistência necessária, e o paciente seguiu o protocolo antirrábico devidamente .
Todos os morcegos atacam humanos? Os morcegos hematófagos, da espécie que atacou o homem no Rio, fazem parte de um grupo de vertebrados parasitos, com apenas três espécies viventes entre as mais de 1.470 espécies da ordem Chiroptera.
Outras espécies como Desmodus rotundus (Geoffroy, 1810), Diaemus youngii (Jentink, 1893) e Diphylla ecaudata (Spix, 1823) se alimentam, exclusivamente, de sangue de animais e com distribuição do norte da Argentina ao norte do México.
Estudos apontavam que o morcego-vampiro-comum, D. rotundus, fosse o único a se alimentar de mamíferos, porém novas descobertas indicaram que D. ecaudata e D. youngii, que anteriormente eram associados a alimentação exclusiva em aves, podem se alimentar também em mamíferos, inclusive em humanos.
Na história, existem relatos de colonos espanhóis e soldados atacados por morcegos ainda no século XVI.
Atualmente, no Brasil, os relatos de alimentação de morcegos hematófagos ocorrem principalmente em indígenas e ribeirinhos na região Amazônica.
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