Falha em tratamento dentário nem sempre indica erro
Um tratamento odontológico concluído com êxito não garante por si só que o resultado permaneça estável por toda a vida. Restaurações, coroas, próteses e implantes podem apresentar complicações anos depois de instalados, e essa evolução nem sempre significa que houve falha na execução do procedimento. A odontologia contemporânea entende a longevidade como um processo que depende de variáveis biológicas, mecânicas e de planejamento, somado ao acompanhamento clínico feito ao longo do tempo.
Entre as causas de origem biológica estão a cárie, a doença periodontal, processos inflamatórios e alterações ósseas que modificam a estrutura de suporte dos dentes. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que as doenças bucais atinjam cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo. Doenças periodontais são as principais responsáveis pela perda dentária em adultos, de acordo com o último levantamento Nacional de Saúde Bucal .
Segundo o Dr. Hugo Robertson , cirurgião-dentista especialista em implantodontia com mais de 35 anos de atuação clínica, como boa parte dessas condições evolui de forma silenciosa, um implante ou uma prótese bem executados podem ser comprometidos por um quadro que se instala somente depois da conclusão do tratamento.
No campo mecânico, o desgaste natural das estruturas, fraturas, sobrecarga mastigatória e hábitos parafuncionais, como o bruxismo, figuram entre os fatores associados a complicações tardias.
Um estudo de base populacional conduzido no Rio Grande do Sul identificou prevalência de 8,1% de bruxismo do sono entre adultos, condição capaz de acelerar o desgaste dos dentes e das reabilitações. Para o Dr. Hugo Robertson, a análise da origem do problema deve preceder qualquer conclusão sobre responsabilidade.
É nesse contexto que surge uma questão comum entre pacientes: se o tratamento dentário deu certo, por que ele pode falhar anos depois? A resposta está na combinação de fatores que podem se modificar ao longo do tempo. Forças mastigatórias, desgaste, alterações biológicas, hábitos parafuncionais e mudanças na condição clínica do paciente podem interferir na estabilidade de um resultado inicialmente satisfatório.
Para o Dr. Hugo Robertson, a análise da origem do problema deve preceder qualquer conclusão sobre responsabilidade.
"Quando um tratamento odontológico apresenta um problema, a primeira conclusão não deveria ser que houve um erro. A falha pode ter origem biológica, mecânica, estar relacionada ao planejamento inicial ou surgir a partir de mudanças que aconteceram com o paciente ao longo dos anos. Por isso, tão importante quanto executar bem um tratamento é planejá-lo pensando em sua longevidade e manter o acompanhamento depois que ele termina", afirma o cirurgião-dentista.
O planejamento anterior ao procedimento influencia diretamente na estabilidade futura.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.terra.com.br — o conteúdo pertence a Terra.