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Geração distribuída entra em ajuste e acende alerta para reestruturações

CNN Brasil ·
Geração distribuída entra em ajuste e acende alerta para reestruturações

O pedido de recuperação judicial do Grupo Pontal-Thopen , com dívidas de R$ 4,56 bilhões , acendeu um sinal de alerta no mercado de geração distribuída no Brasil. A avaliação de analistas, investidores e financiadores é que o caso não deve ser visto apenas como uma dificuldade isolada da companhia, mas como um possível sintoma de desequilíbrios mais amplos em um setor que pode ter crescido rápido demais, atraiu grandes volumes de capital e agora enfrenta dificuldades para transformar energia gerada em receita.

O temor no mercado é que outras empresas também precisem renegociar dívidas, vender ativos ou passar por processos de reestruturação financeira nos próximos meses. A combinação entre excesso de capacidade instalada , disputa por consumidores, descontos agressivos e dificuldade de alocação dos créditos de energia vem comprimindo margens e pressionando o fluxo de caixa de alguns projetos.

A Thopen é, até agora, o sinal mais visível dessa pressão. Para agentes do mercado ouvidos pela reportagem, porém, o ponto central não está apenas na estratégia da Thopen, mas em desequilíbrios que se formaram durante a rápida expansão de todo o segmento.

Os subsídios concedidos à geração distribuída, somados às regras de transição estabelecidas pelo marco legal (Lei 14.300) criaram um senso de urgência para colocar novos projetos de pé e assegurar condições mais favoráveis de compensação da energia. A perspectiva de retornos elevados desencadeou uma espécie de “corrida pelo sol” .

O crescimento da oferta, no entanto, não foi acompanhado no mesmo ritmo pela entrada de novos consumidores em todas as áreas de concessão. Em algumas regiões, empresas disputam os mesmos clientes e passaram a oferecer descontos cada vez maiores sobre a tarifa das distribuidoras.

Com isso, projetos estruturados com determinadas premissas de preço, ocupação e geração de caixa passaram a operar abaixo do esperado. As usinas continuam arcando com arrendamento, manutenção, operação e serviço da dívida, mas nem sempre consegue alocar todos os créditos produzidos.

Circula no mercado a estimativa de que o estoque de créditos de geração distribuída acumulados no país seja de pelo menos R$ 2 bilhões . O CEO do grupo Bolt, Gustavo Ayala , considera esse valor compatível com o volume de créditos hoje parados no setor.

“Você constrói a usina olhando para o prazo regulatório, não para o mercado. Quando ela energiza, a curva de produção é uma e a curva de venda é outra. E você não tem para onde escoar a diferença. Antevimos isso em 2025, o que nos permitiu nos antecipar a esse movimento”, explica o executivo.

Não há, contudo, um levantamento oficial consolidado sobre esse montante. Diferentemente do mercado livre de energia, onde diferenças entre energia contratada e consumida são contabilizadas e liquidadas na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), na geração distribuída o excedente vira crédito, vinculado ao titular e à área de concessão, com validade de até 60 meses .

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.

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