Empresas migram da Faria Lima para fugir do metro quadrado mais caro de SP e ter mais espaço
São Paulo O mercado de escritórios de São Paulo começa a esbarrar nos limites do seu endereço mais caro. Com a vacância de imóveis de alto padrão no menor nível em 17 anos e aluguéis atingindo R$ 400 por m² na Faria Lima e no Itaim Bibi, empresas estão ampliando a busca por espaços em Pinheiros, Chucri Zaidan e Berrini, redesenhando o mapa da ocupação corporativa da cidade.
Segundo a consultoria de gestão imobiliária Newmark, Faria Lima, Pinheiros, Itaim Bibi, JK e Vila Olímpia já concentram 2,8 milhões de m² de escritórios, mas têm vacância de apenas 8%, contra 14% nas demais regiões monitoradas. O aluguel pedido médio é de R$ 214,30 por m² e supera R$ 400 em empreendimentos específicos.
Os preços médios pedidos na Berrini estão entre 67% e 71% abaixo dos praticados no eixo Faria Lima-Itaim-JK. Na Chucri Zaidan, o desconto varia de 60% a 65%.
"Não se trata de uma saída da Faria Lima, mas de um movimento de maior seletividade: as empresas ampliam o leque de escolhas e passam a equilibrar custo, qualidade dos ativos e acessibilidade —e a entrada do monotrilho [da Linha 17-Ouro] reforça essa equação ao favorecer eixos como Berrini e Chucri Zaidan", afirma Mariana Hanania, head de pesquisa e inteligência de mercado da Newmark.
Segundo análise da Newmark, a Chucri Zaidan lidera a absorção líquida acumulada entre os principais eixos corporativos de São Paulo desde 2020, enquanto a Berrini está entre os cinco maiores polos, atrás de Pinheiros, Paulista e Faria Lima.
A Berrini registrou absorção líquida positiva de 5.704 m² no segundo trimestre deste ano, conforme levantamento da Cushman & Wakefield. Entre as operações de maior porte, destacam-se Ericsson e TD SYNNEX, esta última com ocupação de 3.283 m² no Centro Empresarial Nações Unidas.
"A ocupação recente da Berrini tem sido sustentada principalmente por empresas já estabelecidas no mercado corporativo, por meio de movimentos de relocação e expansão, complementados pela entrada de novos ocupantes", afirma Dennys Andrade, head de inteligência de mercado da consultoria.
A F.Reis, que, junto a investidores, já aportou R$ 600 milhões na Berrini e na avenida Roberto Marinho, avalia que o monotrilho ajudará a valorizar os aluguéis da região e estima alta de 20% a 30% nos próximos anos. A crença no potencial da Berrini levou ainda a empresa a investir R$ 100 milhões na aquisição de terrenos para novos investimentos na região.
Para Dorival A. Pereira, gerente comercial e de novos negócios da F.Reis, a diferença de preço no m² começa a ser acompanhada por uma mudança no cálculo das empresas sobre quais áreas precisam, de fato, estar na Faria Lima.
"O primeiro efeito é que a Faria Lima ficou muito cara. Então o sujeito começa a perceber que, embora tenha um efeito muito bom para o nome da empresa, mas você não precisa ter 30 mil metros lá.
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