ICE prendeu 50.000 imigrantes em julho, novo recorde sob Donald Trump
O ICE , a polícia de imigração americana, prendeu 49.571 pessoas em julho, o maior número de detenções registrado em um único mês desde o início do segundo mandato do presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , e também o mais alto em, pelo menos quatro anos.
Os dados, fornecidos pelo ICE ao Deportation Data Project, da Universidade da Califórnia em Berkeley, representam um crescimento de 15% em relação a junho, que quando 43.021 pessoas foram presas (o recorde anterior de Trump 2.0), e de 70% na comparação com fevereiro, que registrou 29.241 detenções.
Antes da posse de Trump, em janeiro de 2025, a polícia de imigração americana realizava pouco mais de 8 mil prisões por mês.
Julho viu uma média de 1.500 pessoas presas por dia, além de 1.100 deportações a cada 24 horas.
As deportações, aliás, também atingiram um nível recorde no mês passado: quase 34 mil imigrantes foram removidos dos Estados Unidos, o maior número desde o início do segundo governo Trump.
Impulsionado por um aumento de US$ 70 bilhões em verbas (R$ 360 bilhões), o Departamento de Segurança Interna americano (DHS, na sigla em inglês), que supervisiona o ICE, vem tentando atingir a meta da Casa Branca de 2.000 prisões por dia.
Imigrantes são detidos em situações diversas — ao comparecerem a compromissos obrigatórios nos escritórios do ICE, em abordagens de trânsito, em frente às suas casas e, cada vez mais, em aeroportos dos Estados Unidos.
Continua após a publicidade ICE ‘low-profile’ A estratégia, porém, mudou nos últimos meses.
Em vez de priorizar grandes operações em cidades como Chicago , Los Angeles e Minneapolis , que provocaram protestos e forte reação política no início deste ano, o governo passou a realizar detenções menos visíveis.
Agentes ampliaram, por exemplo, a cooperação com forças de segurança estaduais e locais por meio dos chamados “acordos 287(g)” , que permitem que policiais atuem em funções de fiscalização migratória.
Texas e Flórida concentraram quase 20 mil das prisões realizadas em julho.
Os dois estados, governados por republicanos altamente alinhados com a Casa Branca, estão entre os que mais utilizam os acordos de cooperação com o ICE.
Continua após a publicidade A mudança de estratégia ocorreu durante a gestão do secretário de Segurança Nacional, Markwayne Mullin, que havia prometido manter o ICE longe das manchetes depois de dois cidadãos americanos (brancos) morrerem nas mãos do ICE em protestos contra a política de imigração da administração Trump.
Detalhe importante: apesar da insistência do governo americano de que o foco do ICE são criminosos, um número recorde de pessoas capturadas na onda de prisões de julho não tinha qualquer antecedente criminal.
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