Por que as marcas esportivas estão olhando para a África
Air Jordan 16 da colaboração com a Free the Youth, em prata metálica e detalhes laranja, com chegada global prevista para esta semana (Divulgação)
Nos últimos dias, uma fila se estendeu por todo o quarteirão, tomou a loja da Awake NY, em Nova York, e quase foi interrompida pelas autoridades locais. O motivo do alvoroço era o lançamento antecipado do Air Jordan 16 assinado pela Free the Youth, coletivo de streetwear de Gana, em sua segunda parceria com a Jordan Brand . O tênis, em versão metálica prateada com detalhes em laranja, sai a US$ 255, cerca de R$ 1.318 na cotação atual, com chegada global prevista para esta semana, no dia 15 de agosto.
A cena resume o momento das marcas africanas de streetwear em 2026, uma vez que colaborações vindas do continente africano têm dominado o calendário de lançamentos das grandes companhias esportivas , com resultado que vai além do burburinho nas redes.
Air Max Plus assinado pela nigeriana Grace Ladoja, da Homecoming, em parceria com a Nike lançada em abril (Divulgação)
Além da Jordan Brand, a Nike lançou em abril o Air Max Plus assinado pela nigeriana Grace Ladoja, fundadora da Homecoming, depois de anos de trabalho da criadora nos bastidores da marca. Ladoja também assinou o uniforme da seleção nigeriana na Copa do Mundo de 2018, um dos mais comentados do torneio à época. A companhia recorreu ainda ao artista Slawn, nigeriano radicado em Londres, para desenhar os Cryoshots da coleção World Cup X2, sua segunda parceria com a Nike depois de um projeto assinado em 2025.
A Adidas fechou este ano sua primeira colaboração com um selo nigeriano, a Waf., marca de skate sediada em Lagos, chamada para desenhar uma versão própria do Adidas Superstar. A Puma uniu-se à Super Yaya, de Rym Beydoun, para criar um Speedcat que parte das raízes da fundadora entre Costa do Marfim e Líbano.
Puma Speedcat da Super Yaya, de Rym Beydoun, com estampa de poá e cores que remetem às raízes da fundadora entre Costa do Marfim e Líbano (Divulgação)
As parcerias geram repercussão real para as marcas globais e colocam em evidência a criatividade dos nomes do streetwear africano . Os projetos criam barulho em mercados como o americano e, ao mesmo tempo, aprofundam a presença das marcas numa região historicamente pouco disputada pelas fabricantes de calçado .
A conta ajuda a entender o motivo: a China respondeu por 13% da receita da Nike no último ano fiscal. A região que reúne Europa, Oriente Médio e África, tratada internamente como Emea, teve fatia maior, de 27%, mas a maior parte desse total vem da Europa, padrão repetido no setor . Por isso, as marcas raramente dedicaram esforço a atender o consumidor africano de forma isolada.
O continente africano tem 54 países soberanos, cada um com regras próprias de comércio, tributação e logística. A operação nessa região é bem diferente de vender numa economia única como a chinesa . As marcas ainda tratam a África como um conjunto de mercados separados, não como um bloco só.
Vale destacar ainda que a população africana é a mais jovem do mundo e também a que mais cresce em ritmo, segundo dados demográficos da ONU.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.