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Luta além dos tatames: trajetória da judoca Edinanci Silva vira livro

UOL Notícias ·
Luta além dos tatames: trajetória da judoca Edinanci Silva vira livro

A obra Edinanci Silva: Mulher Forte Sim Senhor , da jornalista Helena Rebello, foi lançada no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (26), na Livraria Travessa, na zona sul da capital fluminense. O livro conta a história da judoca brasileira bicampeã pan-americana e relembra fatos que marcaram sua trajetória dentro e fora dos tatames. O evento reuniu personalidades do esporte e amigos de Edinanci, que representou o Brasil em quatro Olimpíadas.

A ex-atleta da seleção brasileira tem um carinho especial por Paris. Além da medalha de bronze no campeonato mundial disputado na capital francesa em 1997, a judoca lembrou a maior conquista em solo francês.

"A França mora no meu coração porque em 2000 também consegui realizar outro grande feito, conquistar o torneio de Paris, que hoje é chamado de Grand Slam de Paris. Foi a primeira vez que subi ao pódio em primeiro lugar. Aquele resultado rompeu uma barreira nesse âmbito das grandes competições de alto rendimento", disse Edinanci.

Presente ao lançamento da biografia, a bicampeã olímpica Fabi Alvim destacou o tamanho de Edinanci para o esporte brasileiro. "Depois que eu comecei a jogar vôlei profissionalmente, entendi a dimensão da Edinanci para o esporte feminino brasileiro numa época em que o Brasil ganhava pouquíssimas ou nenhuma medalha. Eu fiquei muito comovida com a história dela", apontou.

"As pessoas perderam tempo em não ouvir a Edinanci ao longo desses anos por ignorância e pela falta de sensibilidade. Eu espero que todo mundo que leia esse livro se sinta impactado, como me impactei", comentou a ex-jogadora de vôlei, que escreveu a orelha do livro sobre a vida de Edinanci.

A história dela vai muito além dos tatames. Nos anos 1990, a paraibana teve de lutar fora das competições contra um duro adversário, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Atlanta: a ignorância de algumas pessoas que insistiam em discriminá-la por ela ter descoberto ser uma pessoa intersexo, ao possuir características biológicas masculinas e femininas. Edinanci sofreu ataques de haters numa época em que nem existiam redes sociais.

"Se você recebe um hater analógico, você ainda consegue respirar porque você volta para casa, às vezes fica magoada, mas tem tempo para respirar e depois voltar e encarar com mais maturidade aquelas brincadeiras de mau gosto. Eu acho que o hater que acontece pelas redes sociais hoje em dia é muito mais danoso, porque a pessoa que sofre o ataque não tem tempo de respirar e fazer uma reflexão sobre o que está acontecendo. Você está sendo constantemente atacado", avalia. "É preciso tomar muito cuidado porque, se você não tem pessoas que te acolhem e te dão um conselho positivo, você acaba sucumbindo", lembrou.

A judoca acredita que o caso vivido por ela despertou a reflexão sobre um tema ainda desconhecido no Brasil. Na comparação com os tempos atuais, ela salientou os preconceitos enfrentados pelas pessoas transgênero.

"Eu acho que cabe um debate da nossa sociedade para acolher essas pessoas.

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