Acha que é bom um time ter dono? Entenda o boicote dos torcedores da Lazio
A BBC publicou, em março, reportagem sobre a Lazio, destacando que jogos do time romano tiveram públicos de 5.402, 3.400, 5.000 e até sem registro oficial de quantos estavam presentes no Estádio Olímpico (que comporta cerca de 70 mil) na capital italiana. Tudo porque os torcedores decidiram boicotar as partidas em casa, em protesto contra o presidente do clube, Claudio Lotito. Cobram que ele venda o time.
Os laziali não querem mais o presidente e proprietário majoritário. Cerca de 85% dos abbonati (titulares de ingressos de temporada) não renovaram. De aproximadamente 30 mil na temporada 2025/2026, o número despencou drasticamente para cerca de 4 mil na 2026/2027 — o pior da era daquel que comanda o clube desde 2004.
A insatisfação não é por um jogo isolado. Trata-se de uma ruptura acumulada ao longo de anos, que explodiu de vez neste ano. A gestão é vista por eles como sem ambição: muitos acusam o proprietário de colocar os próprios interesses (e os de sua família) acima do clube. Reclamam de investimentos insuficientes no elenco e da perda de competitividade.
Lazio fans are making their protest against ownership VERY clear. 85% of season ticket holders reportedly didn't renew from last season ? From 30,000 season tickets in 2025/26 to just 4,000 for 2026/27. pic.twitter.com/oAPczDkM3T
Com a Lazio fora das competições europeias em temporadas recentes, o cenário piorou. O boicote, organizado desde janeiro, partiu de grupos da torcida organizada (principalmente a Curva Nord ) que decidiram não entrar no Olímpico nas partidas em casa — com exceção dos derbies contra a rival Roma. Depois anunciaram que não renovariam os abbonamenti e também boicotariam assinaturas de TV e patrocinadores ligados à gestão.
Em 2 de julho de 2026, cerca de 20 mil torcedores marcharam de Ponte Milvio até perto do antigo Stadio Flaminio gritando "Libera la Lazio" (Liberte a Lazio). A manifestação foi descrita como um dos maiores protestos da história do futebol italiano. A compra da Reggina (clube da Série D) por Lotito foi vista como uma afronta — "atenção e dinheiro indo para outro time".
Também há rejeição ao projeto de reforma/compra do Flaminio como futuro estádio próprio — os torcedores não gostam de como a Curva Nord seria dividida. No projeto, ela ficaria em dois níveis, com 13.790 torcedores assim distribuídos: primeiro anel (inferior): 4.570 lugares, segundo anel (superior): 9.220 lugares.
Alegam que "uma curva dividida não é uma curva". Ela perde a compactação, a unidade e a força visual/sonora do tifo organizado, que tradicionalmente ocupa um único bloco contínuo e vertical. Para piorar, no domingo passado, no Olímpico praticamente vazio, a Lazio perdeu por 0 a 2 para o Mantova (da Série B) na fase de trentaduesimi (32 avos de final, a primeira etapa para os clubes de Serie A),da Copa Itália. Assim, foi eliminada precocemente.
A competição tinha enorme importância para os tifosi da Lazio, já que seus últimos títulos vieram justamente nela: em 2012/2013, com vitória por 1 a 0 sobre a Roma (gol de Senad Luli?) na única final entre os rivais romanos; e em 2018/2019, com 2 a 0 sobre a Atalanta (gols de Sergej Milinkovi?-Savi? e Joaquín Correa).
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