Estados decisivos podem encerrar eleição no 1º turno e impor desafios a Lula e Flávio
Após o término do prazo oficial de registro de candidaturas, em 15 de agosto, algumas das disputas estaduais mais importantes ficaram limitadas a apenas dois candidatos competitivos aos governos e, em razão disso, com grande perspectiva de serem encerradas ainda no primeiro turno.
A pouco mais de seis semanas para a votação, esse é o cenário que se desenha com força, por exemplo, no maior colégio eleitoral do país (São Paulo), no terceiro (Rio de Janeiro) e nos três principais do Nordeste (Bahia, Pernambuco e Ceará).
Levantamento feito por VEJA com base nas últimas sondagens estaduais mostra que quase seis em cada dez brasileiros (57,6%) poderão ter que sair de casa no segundo turno apenas para votar no candidato à Presidência da República, um cenário que pode impactar uma corrida que deverá ser acirrada até o final.
Se essa perspectiva se confirmar, o quadro será um evidente desafio para as duas maiores candidaturas presidenciais, as de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Sem os palanques estaduais, eles terão de engajar seus eleitores para saírem de casa, o que não será tão simples, já que parte da militância tende a ser desmobilizada após o fim das disputas para governador, deputados e senadores.
“Não é todo mundo que vai deixar de votar.
Mas as campanhas vão precisar olhar para esses estados e mobilizar esse eleitor”, alerta Marcelo Tokarski, CEO do instituto Nexus.
Em 2022, quinze estados encerraram as disputas no primeiro turno, mas isso afetou apenas 33,9% dos eleitores, porque o tamanho dos colégios envolvidos era menor do que o que se projeta agora.
MISSÃO - Haddad na comunidade de Heliópolis, em São Paulo: meta é levar sua campanha o mais longe possível Diogo Zacarias/.
O grande diferencial hoje para a eleição de quatro anos atrás é São Paulo, que sozinho concentra 21,5% dos votantes do país.
Levantamento divulgado pelo instituto Paraná Pesquisas na última semana mostrou que é real a probabilidade de a eleição para o comando do estado terminar no primeiro turno.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece com 50% das intenções de voto na primeira rodada contra 33,8% do ex-ministro Fernando Haddad (PT).
Há ainda outros cinco candidatos nanicos que não somam 4% e não têm potencial para provocar o segundo turno.
A derrota de Haddad logo de cara é ruim para Lula, que ficaria sem palanque no maior eleitorado do país, teria de enfrentar a desmobilização de parte da militância após mais um revés no estado onde o PT nasceu e ainda teria um empoderado Tarcísio de Freitas, potencial candidato a presidente em 2030, totalmente livre para se engajar na campanha nacional.
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