Cade autoriza compra da Desktop pela Claro sem restrições
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra da Desktop pela Claro, afastando sinalizações iniciais de dificuldades para a confirmação dessa operação entre as empresas.
O parecer da superintendência observou que a maior sobreposição das duas companhias acontece no mercado de banda larga fixa, abrangendo 198 municípios, sendo que, em muitos deles, as participações de mercado conjuntas serão bastante significativas.
No entanto, o parecer considerou reduzida a probabilidade de exercício unilateral de poder de mercado decorrente da operação, mesmo nas cidades onde a participação de mercado será mais significativa.
Leia Mais Casa Branca apoiará decisão do Fed sobre juros, afirma Hassett Medidas para frear alta da gasolina devem custar R$ 6,5 bi em 2026 Mensagens de Vorcaro e ex-BRB revelam negociação de fraude bilionária “As condições de entrada, rivalidade e contestabilidade mostraram-se suficientes para mitigar os riscos concorrenciais”, descreveu o órgão antitruste, citando a presença de infraestrutura de redes e de concorrentes locais e nacionais que são capazes de garantir a concorrência de mercado, na sua visão.
A análise da superintendência identificou ainda que a Claro terá incentivos econômicos privados para desocupar, gradualmente, as infraestruturas consideradas redundantes.
A Desktop tem 1,2 milhão de clientes em 198 cidades no Estado de São Paulo, o equivalente a 7,6% de participação no mercado.
Para a Claro, a aquisição representa um avanço importante no Estado, onde disputa a liderança com a Vivo.
A Claro tem 4,5 milhões de clientes em São Paulo (28,3%), enquanto a Vivo conta com 4,9 milhões (31%).
Em maio, a operação também recebeu anuência prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Antes disso, porém, a sinalização inicial era contrária a essa transação.
Em outubro de 2025, quando vazaram notícias sobre a negociação, a Anatel fez uma análise preliminar apontando efeitos negativos ao mercado e à entrada de novos competidores se fosse confirmada a aquisição da Desktop pela Claro.
A transação entre Claro e Desktop foi celebrada oficialmente em março deste ano pelo valor de R$ 4 bilhões, considerando R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão da dívida líquida que será assumida.
A Claro ficará com 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, equivalentes a 73% da operadora.
Os vendedores são o fundo de investimento Makalu Brasil Partners, controlado pela gestora norte-americana HIG Capital; e um grupo de pessoas físicas, incluindo o fundador da empresa, Denio Alves Lindo.
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