Como quadrilhas conseguem 'reativar' celular roubado mesmo bloqueado
A Operação Frank Mobile, realizada pelas polícias de São Paulo e o MP-SP (Ministério Público), desbaratou uma organização criminosa especializada em desbloqueio, recondicionamento e comercialização de celulares roubados .
Um relatório do MP descreve como criminosos conseguem tirar proteções dos aparelhos roubados e permitir que voltem a funcionar no Brasil, mesmo "bloqueados".
Em tese, após um celular ser furtado, o bloqueio do IMEI (número único associado a cada celular, uma espécie de "chassi" do telefone) impediria o funcionamento do aparelho . O dispositivo não conecta à rede de telefonia, dificultando seu uso no Brasil, mas não o torna completamente inutilizável.
O bloqueio geralmente é feito ligando para a operadora ou pelo app Celular Seguro. É preciso mencionar a sequência de 15 dígitos do IMEI para que o aparelho não funcione em território brasileiro.
O relatório cita que a organização criminosa consegue "neutralizar mecanismos de bloqueio" do celular roubado e reinseri-lo no mercado . A existência dessas técnicas ajuda a explicar por que o roubo de celulares continua sendo um crime lucrativo mesmo quando as vítimas bloqueiam os aparelhos após o furto.
A edição do IMEI é uma das formas que os criminosos têm para reinserir o celular no mercado . Na prática, a alteração faz com que um aparelho bloqueado passe a se apresentar à rede com outra identificação. Segundo o MP-SP, são usados softwares que possibilitam a manipulação do identificador único do celular. Outra possibilidade é a substituição da placa-mãe do celular, o que faz com que o IMEI original do dispositivo seja trocado por um novo. Algumas lojas chegavam a cobrar cerca de R$ 300 para desbloquear celulares roubados .
Além de alterar identificadores, os criminosos tentam contornar sistemas criados por Google e Apple para impedir o uso de dispositivos roubados . O relatório cita que alguns programas conseguem forçar a restauração de fábrica de celulares Android, sem ser necessário digitar senha ou login do Google. Em celulares da Apple, é mencionado o uso de servidores para desbloquear contas do iCloud e uma ferramenta para contornar o bloqueio de uso de peças não originais, facilitando a reutilização de peças para manutenção de iPhones.
Superadas as proteções, os celulares furtados "recuperados" voltam ao mercado de duas formas . São vendidos como seminovos ou recondicionados (vendidos em comércios populares ou em e-commerces) ou fracionados em peças e componentes básicos — que são usados na manutenção de aparelhos.
"Bloquear o IMEI é importante, mas sozinho não impede totalmente a reutilização dos aparelhos" .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.