Os robôs de Beijing (por Marcos Magalhães)
Ao mesmo tempo em que candidatos saem às ruas no Brasil, no início de uma campanha eleitoral de poucas ideias, do outro lado do mundo o futuro se insinua em um evento que só poderia acontecer ali: a Conferência Mundial de Robôs, em Beijing.
Mais de um milhão de visitantes devem comparecer a partir de quarta-feira ao centro de convenções Beiren Etrong International, onde mais de 300 empresas apresentarão 150 novos produtos, sob o tema da Simbiose Robôs-Humanos.
A conferência será uma espécie de vitrine para as últimas novidades em robôs.
Uma delas será o Super Homem desenvolvido pela Unitree, a maior empresa mundial de humanoides, capaz de saltar a uma altura de dois metros e correr 12 metros por segundo.
Com forte apoio governamental, a China está promovendo um grande esforço para se consolidar como liderança mundial no setor.
Logo após a conferência, a partir de sábado, ocorrerão os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, com a participação de mais de duas mil máquinas.
Tudo isso soa como ficção científica para os brasileiros, a 17 mil quilômetros de distância.
Na verdade, soa do mesmo jeito para quase todo o resto do planeta – com exceção, talvez, dos Estados Unidos.
É sempre bom lembrar, porém, que uma competição de robôs não constaria dos sonhos dos próprios chineses há poucas décadas.
E o Brasil, que hoje assiste com admiração o salto tecnológico de seu maior parceiro comercial, já foi exemplo no passado não muito distante para a China.
Em outubro de 1985, o então primeiro-ministro Zhao Ziyang ficou maravilhado ao visitar a usina hidrelétrica de Itaipu e as Cataratas de Iguaçu.
“Uma imagem vale mais do que mil palavras”, disse ele após contemplar as cataratas e conhecer a usina, que depois serviu de inspiração para a construção de grandes hidrelétricas em seu próprio país.
De lá para cá, a China se consolidou como segunda maior potência econômica do planeta e protagonista na corrida tecnológica.
Do lado da energia, além das hidrelétricas, é líder na implantação de usinas solares e eólicas.
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