Expectativa externa sempre esteve forte na mente de João Fonseca
Um momento que me marca muito sempre que falo de Fonseca x presão aconteceu pouco antes do Masters 1000 de Roma. Na ocasião, João deu a seguinte declaração: "senti a pressão das pessoas, toda a expectativa... senti como se todo mundo pensasse que eu seria o próximo Roger Fedeer de uma noite pra outra. Mas as coisas não funcionam assim. Agora acho que entendi que só jogo por mim, que não devo nada às pessoas e não jogo por elas, mas por mim mesmo."
Isto foi em maio deste ano. Depois de dois anos de hype intenso, de muita badalação e muita expectativa criada - inclusive de gente desequilibrada que falava em Fonseca como número 1 do mundo e campeão de slam em breve.
Ali, eu tive convicção de que João não vinha lidando bem com toda expectativa. Os resultados, porém, vinham acontecendo. O brasileiro alcançou as quartas de final em Roland Garros, com vitórias memoráveis sobre Novak Djokovic e Casper Ruud em rodadas consecutivas.
Só que vieram também mais lesões. Uma na temporada de grama, antes de Wimbledon, e outra agora, que o tirou de Cincinnati e do US Open. Como ele mesmo diz no comunicado, foram muitas lesões que o impediram de competir e de jogar como gostaria. Quando misturamos os ingredientes todos (alta expectativa, lesões, esforço físico e carga emocional de Copa Davis), chegamos a esta decisão de não competir na Ásia. São 1.500 pontos em jogo, mas com o desgaste de viagens longas e ajuste a fuso horário. Além disso, emendaria com a passagem pela Europa, que inclui defender o título do ATP 500 da Basileia. Seria um tempo considerável longe de casa.
Com base apenas no comunicado que foi postado em seus canais, não dá para cravar se a decisão foi motivada mais pelo aspecto físico ou pelo mental. No entanto, parece claro que uma coisa afetou a outra. Lesões impediram o João de jogar mais e jogar melhor, e isso causou um desgaste além do normal, alcançando um pico de carga emocional durante a Copa Davis.
- Qual o status no momento do abdômen lesionado em Cincinnati? Se João estivesse 100% fisicamente e 50% mentalmente, viajaria para a Ásia? Por enquanto, não temos essas respostas.
- Até o começo do ano passado, João falava que não tinha psicólogo. Que já tinha tentado esse tipo de trabalho, mas não gostou. Admitia a necessidade de trabalhar com um se achasse necessário. Hoje, o carioca tem esse acompanhamento com um profissional.
- Não trato essa decisão como "pausa na carreira". João não vai tirar férias ou passar meses sem pegar na raquete. Seguirá treinando, voltará para defender seu título no ATP 500 da Basileia e planeja disputar o Masters 1000 de Paris. É diferente de se afastar do circuito. Logo, do mesmo jeito que nunca tratei como "pausa na carreira" os muitos casos em que tenistas da elite pulam sequências inteiras de torneios (como Federer fez no saibro em alguns anos, por exemplo), não o farei com Fonseca neste momento.
- Minha régua é esta: tento tratar todo assunto relacionado a João Fonseca (e a outros brasileiros) da mesma maneira que sempre abordei outros nomes do esporte.
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