AL: JHC recua do Senado e decide se candidatar ao governo com apoio de Lira
O ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), recuou da decisão de concorrer ao Senado e, após pressão de aliados e do partido, vai ser candidato ao Governo de Alagoas. A decisão foi tomada após impasse e no último dia de inscrições para as eleições de outubro.
Além dele, a esposa dele, Marina Cândia (PSDB), será candidata ao Senado. A vice será Celia Rocha (PSDB).
Antes do registro de JHC nas eleições, Arthur Lira (PP) registrou a candidatura ao Senado na coligação de JHC, confirmando o acordo.
Na quinta-feira, o UOL mostrou que JHC havia procurado o presidente Lula (PT) e a direção nacional do PSDB no começo da semana para comunicar sua decisão de não mais disputar o governo, e sim uma cadeira ao Senado.
O motivo determinante para mudança de ideia teria sido a saída de Alfredo Gaspar (PL) da disputa ao Senado para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência .
Com isso, JHC teria visto a "porta aberta" para uma eleição menos difícil que o governo e para garantir a cadeira que hoje é ocupada pela sua mãe, a senadora Eudócia Caldas (PSDB).
Entretanto, após a informação ser vazada, JHC passou a sofrer grande pressão de aliados e grupos políticos de Alagoas para rever a decisão, já que diversos acordos teriam sido firmados.
A maior pressão veio de Lira, maior afetado pelo recuo, que atuou diretamente nos bastidores para que o ex-prefeito voltasse à candidatura ao governo —eles são aliados políticos desde 2022.
Além disso, JHC foi duramente criticado por políticos de todas as regiões do estado, que o lembraram dos compromissos assumidos e das implicações da volta atrás —muitos deles romperam com o MDB, que governa o estado há sete anos.
JHC também foi alertado que o recuo faria a maioria da base não o apoiar em uma eventual candidatura ao Senado.
Outro ponto que foi levado em conta foi o próprio desejo de o PSDB em ter candidato forte ao Governo de Alagoas, já que o ex-prefeito aparece sempre empatado nas intenções de voto na disputa contra o governador Renan Filho (MDB).
A direção do PSDB vinha contando com a candidatura de JHC para ter chances de comandar um estado importante do Nordeste e tinha lamentado a mudança de posição que aconteceu após a conversa com o Lula. Mesmo assim, o presidente da legenda, Aécio Neves, tinha avisado ao correligionário que ele tinha autonomia e poderia decidir o futuro.
Agora, com a nova reviravolta, Aécio, segundo aliados, ainda sonha em contar com duas vagas para deputado no estado. Uma delas viria de Marina Candia, esposa de JHC, e que é cotada para ser uma das mais votadas no estado.
Apesar do otimismo da cúpula do PSDB, não será fácil conseguir duas das nove cadeiras em disputa no território alagoano. A legenda ainda trabalha com a possibilidade de comandar dois estados na região: Alagoas, agora com JHC; e o Ceará, com Ciro Gomes.
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