Um novo golpe, os mesmos autores (por Pedro Costa)
Tenho falado sobre a banalidade do linchamento como solução para a própria insegurança com princípios morais, e julgamento que veremos na semana que vem do ministro Alexandre de Moraes pode já estar decidido se os ministros acatarem a condenação que já foi feita pela mídia, pelo bolsonarismo e pelas redes sociais, que pretendem representar a opinião pública — embora os “retratos instantâneos” dos institutos de pesquisa de opinião usem várias réguas, se fossem científicos todos dariam os mesmos resultados.
O que se julga são fatos e os fatos que se conhece em relação a Moraes não demonstram nada.
Só sua complementação pode esclarecer se houve quebra de lei ou mesmo de comportamento ético.
Mas aguardar este esclarecimento não entra na cabeça de quem tem ódio dele por ter garantido as eleições de 2022 e sido o relator da tentativa de golpe.
O que a mídia, porta-voz do “mercado”, está julgando é a recusa do Brasil a adotar o modelo Trump de Estado, em que governam os bilionários, lascam-se a classe média e os pobres.
O “mercado” pensa que, implantada a autocracia bolsonarista, os multimilionários locais — temos poucos bilionários — viverão seu mar de rosas.
Que estão redondamente enganados é prova o que viveu o País nos anos do capeta.
Morte, fome, desemprego, destruição das instituições etc.
Importa agora é saber que temos um risco verdadeiro com a admissão da candidatura (indireta) de Jair Bolsonaro por um tribunal eleitoral capitaneado por um frágil juiz de comarca no tempo do Onça e por um adorador do profeta da segurança, ambos sem o menor escrúpulo.
Fiquemos com o personagem da semana, André Mendonça.
O conde de Afonso Celso avisava que quem “está sempre a falar de sua probidade faz desconfiar que é tratante; da sua vigilância, que é preguiçoso; da sua gratidão, que é ingrato; da sua coragem, que é covarde”.
Sua ascensão do púlpito para o golpe foi rápida.
Enquanto pastoreava, passou, como advogado da União, por um curso intensivo com Wagner Rosário, Descontrolador Geral dos governos Temer e Bolsonaro.
Nomeado chefe da AGU, defendeu, como lhe competia, os atos do Cavalão.
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