Mesmo com Desenrola, endividamento e inadimplência crescem e renovam recorde
Mesmo depois do lançamento, em maio, da nova edição do Desenrola Brasil, o programa do governo com condições especiais para renegociação de dívidas, os números gerais de inadimplência e do nível de endividamento das famílias no Brasil não só não recuaram, como continuaram crescendo e, ainda, bateram recorde nos últimos meses.
Em junho, primeiro mês completo da vigência do programa, quase um terço da renda das famílias foi para o pagamento de parcelas e juros das dívidas: essa proporção subiu de 28,5%, em maio, para 28,9% em junho – a maior fatia já registrada em toda a série histórica, iniciada em 2005.
Um ano antes, em junho de 2025, 27,5% da renda das pessoas estava tomada pelo pagamento de dívida, e, em 2005, isso girava em torno dos 18%.
Os resultados fazem parte das estatísticas mensais de crédito divulgadas nesta sexta-feira, 28, Banco Central .
Os dados são dessazonalizados e levam em consideração todos créditos tomados, incluindo financiamentos imobiliários.
Leia mais Brasil endividado: novo plano populista de Lula não enfrenta causas reais do problema O programa Desenrola Brasil, que ganhou neste ano uma segunda edição com a sucessão de recordes nos níveis de endividamento da população , foi lançado em 4 de maio pelo presidente Lula .
Previsto inicialmente para durar por 90 dias, ele foi prorrogado em mais um mês, até 31 de agosto .
Continua após a publicidade Inadimplência subindo Como a entrada no Desenrola implica, para a maioria dos contemplados, em uma renegociação de uma dívida que estava inadimplente, é previsível que o comprometimento da renda, para essas pessoas, piore, o que pode ajudar a explicar o aumento nos números gerais: mesmo a juros e parcelas menores, o cliente que entrou no Desenrola voltou a pagar as mensalidades de uma dívida que, antes, tinha sido abandonada.
Continua após a publicidade O esperado, contudo, seria uma redução na inadimplência, ou seja, uma diminuição no total de dívidas com os pagamentos em atraso.
Mas elas não só continuaram crescendo, como também atingiram novos níveis recordes mesmo depois do início do programa.
Em julho, dado mais recente, os diferentes tipos de dívidas em atraso chegaram a 7,8% do total, ante 7,4% em junho e também 7,4% em abril, último mês antes do início do Desenrola.
Em julho de 2025, a taxa de inadimplência estava em 6,7% do total das dívidas.
É a maior proporção desde pelo menos 2012, quando começa a série, e só em 2012 esse número tinha também chegado a bater os 7%.
Continua após a publicidade A taxa leva em consideração apenas a inadimplência das pessoas físicas e em operações de crédito livre, como empréstimos pessoais, cartão de crédito ou cheque especial, e que são o foco das renegociações permitidas pelo Desenrola.
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