O Brasil barrou a extrema direita
Ciclista, duas vezes vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico e doutor em economia pela USP. Coordenador no Insper, foi visiting scholar em Columbia, Stanford e Oxford
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A vitória no domingo (25) ficará marcada na história por algo que ultrapassa os números das urnas. Ela foi construída por milhares, por pessoas que decidiram deixar suas casas, ocupar as ruas e transformar a indignação em participação política. Uma vitória que pertence a uma multidão de brasileiros que se recusou a assistir passivamente ao avanço da extrema direita.
Depois do primeiro turno, uma impressionante mobilização tomou conta do país. Estudantes ocuparam avenidas, famosos emprestaram suas vozes, influenciadores mobilizaram milhões de pessoas nas redes sociais. Trabalhadores, movimentos populares e cidadãos que jamais haviam participado de uma campanha eleitoral decidiram fazer alguma coisa. Muitos organizaram manifestações espontaneamente, sem esperar orientações de partidos ou lideranças políticas.
Houve algo especialmente bonito nessa mobilização: pessoas com histórias, convicções e trajetórias muito diferentes compreenderam que havia algo maior em jogo. Gente de esquerda se juntou a pessoas de centro e de uma direita comprometida com o país. Discordâncias sobre economia e políticas públicas continuaram existindo. O que as aproximou foi a compreensão de que o respeito às instituições precisa estar acima das disputas partidárias.
Durante algumas semanas, o Brasil assistiu a uma experiência extraordinária de ação coletiva. Pessoas que nunca haviam se encontrado marcharam lado a lado. Gerações diferentes ocuparam os mesmos espaços. Nas redes sociais, cidadãos comuns passaram a produzir conteúdos e conversar sobre política com uma intensidade que dificilmente poderia ser organizada por qualquer comando de campanha.
A vitória também representou a derrota de uma tentativa de transformar a Presidência da República em patrimônio hereditário. Flávio Bolsonaro chegou à disputa nacional carregando, sobretudo, o sobrenome do pai. Sua trajetória política dificilmente justificaria, por realizações próprias, a pretensão de governar o Brasil.
A República exige que o mérito político seja construído por realizações e compromissos com a sociedade. Nenhum brasileiro deveria considerar natural que o poder passe de pai para filho como parte de uma herança familiar.
Nesse contexto, foi emocionante acompanhar brasileiros ocupando as ruas para dizer não ao fascismo, à violência política e à presença das milícias nas estruturas de poder. A democracia brasileira carrega cicatrizes profundas do autoritarismo. Ver uma nova geração mobilizada para defendê-la oferece razões para acreditar no futuro.
Outra imagem que merece ficar na memória coletiva é a de pessoas idosas fazendo questão de exercer seu direito ao voto. Brasileiros com mais de 90 anos, alguns já centenários, enfrentaram as dificuldades da idade para participar da escolha do futuro do país.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.