Conheça Santa Cruz de Goiás, cidade que será sede simbólica do governo nesta quinta-feira
Santa Cruz de Goiás tem uma história particularmente enraizada com a cultura goiana e o governo estadual: ouro, bandeirantes, uma cidade que já foi sede do governo, perdeu a autonomia, mudou de nome e, quase três séculos depois, volta a receber simbolicamente o governo estadual.
Na quinta-feira (27), enquanto o município completa 297 anos, o centro das decisões do Estado vai se mudar para lá. O governador Daniel Vilela despachará da cidade, acompanhado de secretários, auxiliares e outras autoridades, em uma tradição que, mais do que uma cerimônia política, funciona como uma espécie de visita da história ao presente.
Por um dia, uma cidade de pouco mais de 3 mil habitantes volta a ocupar um lugar que já foi seu de verdade.
Santa Cruz foi sede do governo goiano entre 1839 e 1870, de acordo com a história oficial. Naquele tempo, Goiânia ainda nem existia e Goiás, a antiga Vila Boa, era a capital. Uma grande enchente atingiu a antiga sede administrativa e fez com que o governo se instalasse em Santa Cruz durante três décadas.
É uma história que parece improvável quando se olha para a Santa Cruz de hoje. Mas basta olhar para o município sob a visão dos moradores para perceber que o passado não desapareceu completamente. Ele ficou nas construções antigas, nas festas, nas histórias contadas de geração em geração e, sobretudo, na maneira como a cidade se reconhece.
Naquele tempo, o sertão goiano era atravessado por bandeirantes e aventureiros em busca de riquezas. O ouro era a palavra capaz de fazer nascer caminhos, arraiais e cidades. Foi nesse cenário que Manoel Dias da Silva teria se instalado na região.
Segundo o registro histórico adotado pela prefeitura, o bandeirante encontrou ouro e, em agradecimento, ergueu uma grande cruz. Nela, teria escrito: “Viva el Rei de Portugal”.
As primeiras casas surgiram ao redor dela e da capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, padroeira do município. Assim, quase três séculos antes de o governador voltar a despachar de Santa Cruz, o pequeno núcleo começava a se formar a partir de uma combinação que marcaria a história de Goiás: fé, exploração e busca por ouro.
A mineração trouxe garimpeiros, famílias e aventureiros, e o arraial cresceu. Santa Cruz se tornou distrito em 1759, vila em 1833 e cidade em 1884. Durante esse período, seu território era muito maior do que o atual e chegou a abranger localidades que posteriormente se emancipariam, entre elas Pires do Rio e Cristianópolis.
Em 1938, aconteceu algo que parece estranho até hoje: Santa Cruz deixou de ser sede municipal.
Pires do Rio passou a ocupar o posto, enquanto Santa Cruz foi rebaixada à condição de distrito. Em 1943, veio outra mudança. O nome Santa Cruz desapareceu oficialmente dos documentos e deu lugar a Corumbalina.
Segundo a história do município, foram anos em que a cidade perdeu, no papel, parte da importância que havia acumulado desde o ciclo do ouro.
A autonomia só voltou em 1947. O município foi recriado com o nome de Santa Cruz de Goiás, desmembrado de Pires do Rio.
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