Lula mistura papéis de estadista e candidato na ONU
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Ao longo da história, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas serviu tanto como palco para reflexões sobre a geopolítica quanto para demonstrações de líderes periféricos dando recados domésticos sob holofotes globais.
Em sua intervenção na abertura da 81ª edição do evento , nesta terça (22), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) almejou um amálgama dos dois papéis. Mas o candidato à reeleição suplantou o projeto de estadista do mandatário.
O púlpito da ONU serviu a assuntos variados e privativos do eleitor brasileiro, incluindo até o prometido fim da escala de trabalho 6x1, algo digno de estranheza —ainda que não comparável à merecida pelas alucinações proferidas por Jair Bolsonaro ( PL ) durante suas passagens por lá.
Sem recusar integralmente o apoio do Itamaraty , Lula começou bem sua fala. Fez um correto diagnóstico da derrocada do sistema multilateral, que seria evidenciada pelo de fato relevante orador seguinte, Donald Trump .
O discurso escorregou ao tentar negar a máxima de Carl von Clausewitz, segundo a qual a guerra é a continuação da política por outros meios. Alguém com conhecimento do vernáculo alemão poderia lembrar Lula de que a "Politik" do general prussiano ia além de objetivos imediatistas.
Queixou-se de um mundo em guerra, o que está longe de ser exagero, mas sem apresentar mais que platitudes sobre o tema. No mais, fustigou Israel , o embargo a Cuba e outras ações associadas a Trump.
O republicano nunca foi nominado, talvez para não piorar uma relação já esgarçada. Mas sua obra estava lá para ser criticada: guerra tarifária, militarismo, inteligência artificial desabrida e a retomada da doutrina segundo a qual o Hemisfério Ocidental é área de influência exclusiva de Washington.
Trump não lhe deu ouvidos, tanto que o Brasil nem sequer foi citado no discurso do americano.
Na seara da disputa com Flávio Bolsonaro (PL), Lula deteve-se sobre o tema da segurança. Além de elencar itens como o Pix ou a lei trabalhista, foi mais diretamente ao ponto ao rejeitar ingerência "interna ou externa" no pleito deste ano. A referência, novamente implícita, era a Trump e sua relação com o bolsonarismo.
O petista usou o trunfo da soberania — "o Brasil não cabe no quintal de ninguém" . Não se trata de preocupação implausível, dada a Estratégia de Segurança Nacional e o ímpeto intervencionista de Trump —além de ser uma estocada no bolsonarismo devotado ao republicano.
Todavia as vantagens desse discurso não são tão visíveis agora como no tarifaço de 2025. A ofensiva da Casa Branca contra o crime organizado, por populista que seja, avança sobre um tema delicado para a campanha petista.
A poucos dias da eleição, não se materializou, até aqui, o temor de uma interferência externa direta —como o próprio Lula atestou na conversa com o senador esquerdista Bernie Sanders.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.