Ano eleitoral: qual é o papel do Estado como investidor na inovação?
Precisamos conversar sobre o papel do Estado como investidor em startups e inovação | Foto: Canva *Por Amure Pinho, fundador da Investidores.vc Em anos eleitorais, o debate público costuma se concentrar em saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Mas existe uma agenda que terá impacto direto sobre a competitividade brasileira nos próximos anos: startups, inovação e investimento.
Mais do que discutir se o Estado deve ou não investir diretamente em empresas, precisamos entender qual deve ser o seu papel na construção de um ambiente capaz de estimular startups, reduzir riscos e atrair capital privado para projetos inovadores.
Em outras palavras, o Estado pode ser um importante investidor indireto em startups, criando condições para que o mercado assuma riscos que dificilmente assumiria sozinho.
O Estado não precisa escolher as startups A experiência internacional mostra que grandes ecossistemas de inovação não foram construídos exclusivamente pelo capital privado.
O Vale do Silício, por exemplo, contou durante décadas com investimentos públicos em pesquisa científica, universidades e projetos ligados à defesa.
Tecnologias que hoje fazem parte do cotidiano, como internet e GPS, tiveram participação de recursos públicos em seu desenvolvimento.
O ponto não é defender que governos escolham quais startups devem vencer, mas reconhecer que políticas públicas podem criar as condições para que novas tecnologias cheguem ao mercado.
No Brasil, esse papel passa por instituições como BNDES e Finep, além de programas estaduais de fomento à inovação.
O modelo mais eficiente não necessariamente é o investimento direto do governo em uma empresa, mas a criação de mecanismos que compartilhem riscos e multipliquem o capital privado.
Fundos de venture capital apoiados por recursos públicos, linhas de financiamento, editais de inovação e incentivos fiscais podem funcionar como catalisadores para startups que ainda estão em fases nas quais o crédito tradicional não faz sentido.
Capital, pesquisa e segurança jurídica Outro ponto fundamental é aproximar ciência e mercado.
Programas como o PIPE, da Fapesp, mostram como recursos destinados à pesquisa aplicada podem ajudar pequenas empresas a transformar conhecimento em produtos e negócios.
Da mesma forma, mecanismos como a Lei do Bem estimulam empresas a ampliar seus investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
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