Westside Cowboy justifica o hype no álbum de estreia ‘It Goes On’
A capa de It Goes On , álbum de estreia do quarteto de Manchester chamado Westside Cowboy , traz uma imagem curiosa.
Em meio aos jardins e quintais de conjuntos habitacionais – símbolos da sociedade britânica pós-guerra – há um cavalo, por sua vez um ícone do oeste americano, da imensidão e liberdade.
Entretanto, se analisarmos a tradição musical de ambos os países, um tema comum é como não importa onde se está, ninguém parece livre.
O Westside Cowboy despontou na cena indie do Reino Unido com dois EPs bem recebidos – There Better Be Something Great (2025) e So Much Country Till We Get There (2026) – e uma vaga como atração de abertura na turnê Getting Killed , do Geese , criando algo que por décadas foi a maior arma de artistas do outro lado do Atlântico: hype.
Entretanto, isso pode criar expectativas tamanhas a ponto de qualquer lançamento inferior a uma obra-prima ser encarado como um fracasso abjeto.
Felizmente, a banda parece mais preocupada em se divertir enquanto descobre sua própria identidade.
A situação rende a It Goes On uma qualidade irresistível.
O álbum abre com “Kick Stones (The Boys)” , primeiro single lançado do trabalho.
Construído a partir de uma levada à la “Rock and Roll” , do Velvet Underground , a banda aos poucos pega num embalo contagiante, no qual nada é escondido por distorção ou efeitos.
Quando se fala de uma gravação crua mesmo, é isso.
Reuben Haycocks não é um vocalista habilidoso.
Ele canta para dentro a maior parte do tempo, recitando as letras como se fossem mantras.
E as imagens retratadas pelas palavras são evocativas o suficiente para funcionar: “Maybe soon I will follow you and I will see for myself Out of some blue or some fantasy fortune, the locks have held And the rain sounds like bells, the plastic covered cars swim totally fine Have you heard that the boys are gone this time?” [“Talvez em breve eu te siga e veja por mim mesmo Por alguma sorte inesperada ou fortuna, as fechaduras resistiram E a chuva soa como sinos, os carros cobertos de plástico nadam tranquilamente Você ouviu que os meninos se foram dessa vez?”] Todas as canções de It Goes On têm alguma menção a alguém que se foi — seja morte, mudança atrás de uma condição melhor ou os afastamentos normais da vida, o disco é repleto desses pequenos momentos.
Pessoas se vão, mas a memória dessas continua em meio à luta diária.
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