Nova disparada do diesel põe em xeque pacote de Lula para segurar preços
A nova disparada do diesel no mercado internacional ampliou ainda mais a distância entre os preços externos e os praticados pela Petrobras e aumentou a pressão sobre o pacote montado pelo governo para evitar um choque do combustível no Brasil.
Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem média do diesel nos polos da Petrobras chegou nesta quarta-feira a 119%, ou 3,89 reais por litro.
Na véspera, a diferença era de 107%, equivalente a 3,49 reais.
Em apenas um dia, portanto, o buraco entre o preço doméstico e a referência de importação aumentou 40 centavos por litro.
O movimento ocorre apenas uma semana depois de o governo anunciar uma nova rodada de medidas para conter os preços.
Para o diesel, foi estabelecida inicialmente uma subvenção de 1 real por litro a produtores e importadores, com possibilidade de revisão conforme as condições de mercado.
O desenho buscava compensar parte da diferença de preços e manter economicamente viável a entrada do combustível importado.
Só que o mercado externo continuou se deteriorando.
As margens de refino do diesel com baixo teor de enxofre na Ásia ultrapassaram 87 dólares por barril nesta quarta-feira, maior nível já registrado, segundo dados da LSEG.
A pressão reflete principalmente o aperto na oferta global, agravado pelas interrupções no Oriente Médio e pela menor disponibilidade de produtos russos.
Continua após a publicidade A escalada já começa a produzir efeitos no abastecimento brasileiro.
Importadores independentes vêm adiando compras porque o combustível trazido do exterior não consegue competir com o preço praticado pela Petrobras.
Para outubro, mês de aumento sazonal do consumo por causa do plantio da safra, estavam programados até agora apenas 120 mil metros cúbicos de diesel importado, segundo o levantamento da Abicom — muito abaixo do pouco mais de 1 milhão de metros cúbicos normalmente importado pelo país nesta época.
A programação ainda pode aumentar nas próximas semanas.
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