A Terra inteira se move alguns milímetros por estação porque água, gelo e até o ar mudam de lugar sobre o planeta
Pesquisa da NASA revela como neve, chuvas, oceanos e atmosfera deslocam o equilíbrio gravitacional terrestre e influenciam medições por satélite
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A Terra apresenta um movimento quase imperceptível provocado pela redistribuição de água, gelo e ar entre diferentes regiões. Um estudo da NASA revelou que o centro de massa da Terra se desloca alguns milímetros ao longo das estações, permitindo compreender como mudanças ambientais afetam o equilíbrio gravitacional do planeta e a precisão dos sistemas de localização.
Embora pareça completamente estável, a distribuição da massa terrestre muda continuamente. Neve se acumula nos continentes, rios recebem grandes volumes de chuva e oceanos redistribuem água. Essas transformações deslocam o centro de massa em relação ao centro geométrico da parte sólida do planeta.
O fenômeno não significa que a Terra inteira esteja viajando alguns milímetros adicionais pelo espaço. O deslocamento acontece entre dois pontos de referência: o centro de massa, determinado pela distribuição total de matéria, e o centro de figura, relacionado à geometria terrestre.
Os pesquisadores identificaram oscilações sazonais de poucos milímetros, associadas principalmente à movimentação de água entre hemisférios. Em março, o acúmulo de neve na América do Norte e na Eurásia desloca o centro de massa aproximadamente três milímetros em direção ao Polo Norte.
Em abril, a água armazenada na bacia amazônica alcança cerca de 2.400 gigatoneladas, contribuindo para um deslocamento de 2,2 milímetros em direção à América do Sul. Entre agosto e outubro, a redistribuição oceânica desloca o equilíbrio gravitacional em direção ao Pacífico Sul.
O centro de massa corresponde ao ponto que representa a distribuição de toda a massa terrestre. Quando grandes quantidades de água se acumulam numa região, a contribuição gravitacional daquela área muda, deslocando ligeiramente esse ponto de equilíbrio.
Ao mesmo tempo, o peso de oceanos, neve e águas continentais deforma elasticamente a crosta. Essas alterações modificam também a posição das estações de medição. Separar os dois efeitos é essencial para evitar que movimentos do terreno sejam confundidos com deslocamentos do centro de massa.
O estudo publicado no Geophysical Journal International , em 14 de setembro de 2026, foi liderado pelo geofísico Donald Argus, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. A pesquisa reuniu especialistas norte-americanos e alemães em geodésia espacial.
A equipe combinou rastreamento a laser dos satélites LAGEOS, observações GPS e dados orbitais de satélites em órbita baixa. Também corrigiu deformações da crosta provocadas pela redistribuição de cargas superficiais. Essa abordagem reduziu limitações associadas à distribuição desigual das estações terrestres.
A água continental representa uma contribuição importante, especialmente durante o acúmulo de neve e as temporadas de chuva. Os oceanos também participam, enquanto a atmosfera redistribui massa conforme variações sazonais de temperatura e pressão.
As estimativas foram comparadas com observações gravitacionais dos satélites GRACE e modelos atmosféricos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.